Discussões sobre reestruturação da dívida da Grécia ainda estão longe do fim
Segundo fonte, FMI, UE E BCE divergem sobre sustentabilidade da dívida grega
BRUXELAS - Há divergências entre o FMI e os outros credores oficiais da Grécia, o Banco Central Europeu e os governos dos países da zona do euro, quanto à sustentabilidade da dívida da Grécia. "O FMI tem as projeções mais pessimistas, e elas foram contestadas pela União Europeia e pelo BCE. Isso poderá criar um problema no próximo relatório de sustentabilidade, se as três partes não estiverem falando a mesma coisa", disse uma fonte citada pela Dow Jones.
Segundo essa fonte, as divergências se tornaram aparentes na reunião dos ministros das Finanças da zona do euro, nesta segunda-feira. "Ouvi que instituições diferentes colocaram números diferentes na mesa, talvez com intenções diferentes", disse outra fonte, que ressalvou ser "prematuro" tentar adivinhar quais seriam os números em torno dos quais haveria possibilidade de concordância.
Os ministros das Finanças da zona do euro foram informados de que a dívida da Grécia deverá ficar acima da meta de 120% do PIB até 2020, de acordo com projeções revisadas apresentadas na reunião, mas elas preveem que a dívida grega não deverá superar os 130% do PIB naquela altura. "Não parece uma revisão dramática, mas é difícil para os países membros engolirem", disse um alto funcionário da UE.
A outra fonte disse que os técnicos da UE chegaram à nova projeção usando o cenário da última proposta para a reestruturação da dívida grega. "Eles estão trabalhando com base no cenário mais recente do Instituto de Finanças Internacionais IIF: um novo cupom com taxa de retorno média de 4% em um acordo voluntário de reestruturação", disse o funcionário.
A Grécia vem negociando com o IIF, que representa a maioria dos credores privados do país, há cerca de três semanas, com o objetivo de chegar a um acordo pelo qual os credores aceitariam uma redução de 50% no valor de face de cerca de € 206 bilhões em bônus gregos. As conversações foram suspensas no fim de semana, por causa de divergências quanto ao cupom médio dos novos bônus que a Grécia emitirá para substituir os antigos.
Mas, tendo em vista a deterioração do perfil da dívida grega, ou o setor privado terá de aceitar perdas maiores, ou a União Europeia e o FMI terão de aumentar o tamanho do segundo pacote de ajuda financeira para a Grécia, disse o funcionário. "Se você mantém a meta de 120% do PIB, então o financiamento do segundo programa de ajuda terá de ser incrementado, e isso implica um aumento na contribuição do setor público", acrescentou.
As decisões finais sobre a reestruturação da dívida grega e o tamanho do segundo pacote de ajuda deverão ser discutidos na próxima reunião de cúpula da União Europeia, marcada para 30 de janeiro. "O acordo só vai se materializar quando os líderes do nível mais alto se encontrarem", disse o funcionário.
As informações são da Dow Jones. (Renato Martins)
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