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Em busca de diversificação, cresce procura por fundos na Bolsa de Valores

Carteiras negociadas por corretoras buscam seguir a rentabildiade de algum índice acionário, mitigando o risco do pequeno investidor

05 de agosto de 2012 | 23h 06
Yolanda Fordelone, de O Estado de S. Paulo

Dados da BM&FBovespa mostram que os investidores têm sido atraídos por fundos de ações chamados ETFs. O total negociado nessas carteiras - que acompanham um índice acionário, como o Ibovespa, ou o desempenho de algum setor, como o de consumo, e são negociadas em corretoras - triplicou no primeiro semestre de 2012 na comparação com mesmo período do ano passado - passou de R$ 4,6 bilhões para R$ 15,7 bilhões.

Júlio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa - Luiz Prado/Divulgação BM FBovespa.
Luiz Prado/Divulgação BM FBovespa.
Júlio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa

Segundo especialistas, os ETFs se tornaram uma porta de ingresso para os principiantes. "Este mercado, além de ser forte entre os institucionais, atrai investidores iniciantes. É uma forma de diversificação de risco, sem muita exposição e sem correr o risco de uma só ação", diz a superintendente de fundos indexados da Itaú Asset Management, Tatiana Grecco.

Na comparação com os fundos de ações comuns, adquiridos em bancos, a vantagem dos ETFs é que eles podem ser comprados nas plataformas online das corretoras (home broker).

Tatiana destaca ainda que a tendência de juro em queda ajuda no aumento dos negócios. "Esse cenário fez com que o investidor passasse a se preocupar mais com a rentabilidade do seu patrimônio. É um caminho natural entrar na bolsa. Esses fundos permitem diversificação", comenta.

Para o diretor da BlackRock (gestora de alguns ETFs), Ricardo Cavalheiro, a agilidade dos ETFs também conta. "O valor da cota que você irá pagar é exatamente o que aparece na tela, diferentemente dos fundos comuns em que o dinheiro é contabilizado no dia seguinte", explica.

O diretor do home broker Rico.com.vc, Ricardo Moraes, explica que o acesso a essas carteiras é simples. "O investidor compra as cotas como se fossem ações. A vantagem é que, pagando apenas uma corretagem, o acionista já adquire uma cesta de papéis", afirma.

"Há quem utilize o produto para diminuir o risco de parte da carteira, mas diria que são produtos para pessoas que não querem acompanhar o mercado diariamente, não querem se preocupar em balancear a carteira conforme o mercado oscile", diz o economista-chefe da TOV, Pedro Paulo Silveira.

O risco do investimento está na piora do setor das ações que compõem a carteira. Vale lembrar que, assim como em fundos comuns, os gestores de ETFs cobram taxa de administração. Em geral, são baixas, menores que 0,6% ao ano.

Mercado novo

Os ETFs são considerados relativamente novos no mercado. O primeiro fundo, o PIBB, que segue o índice IBrX-50, foi lançado em 2004, mas foi só em 2008 que novos fundos, mais fáceis de serem operacionalizados, começaram a surgir. "Estamos falando de um mercado que tem 20 anos no exterior e quatro no Brasil e que está começando a ser descoberto agora pela pessoa física", diz o diretor de renda variável da BM&FBovespa, Júlio Carlos Ziegelmann.

Lá fora, os números indicam que este mercado é bem mais representativo. Enquanto nos EUA, os ETFs representam 30% do volume negociado na Bolsa, aqui o mercado tem participação de 1,7%. Uma alta expressiva se comparada à participação em 2011 (0,7%), mas ainda pequena. Segundo analistas, esse mercado deixará de ser iniciante quando ultrapassar 5% do volume.

A Bolsa e as gestoras têm trabalhado para fomentar o produto. Em doze meses, o número de ETFs passou de 8 para 14 e o mercado já espera um novo fundo nos próximos meses. A carteira, que seguirá o Ibovespa, terá administração da Caixa Econômica Federal, o que deve popularizar o mercado ainda mais. "A rede de distribuição da Caixa é grande", diz Ziegelmann. A licitação foi vencida em maio e o lançamento deve ocorrer 30 dias depois da aprovação pela CVM.

Outra novidade foi a mudança operacional, implementada em junho, do primeiro ETF do mercado, o PIBB. As alterações e a permissão de um formador de mercado para o produto - que se obriga a colocar um número mínimo de ofertas de compra e venda todos os dias -, deram mais volume e possibilidade de ganho maior para a carteira. O resultado é que o total negociado no fundo dobrou em julho, segundo o Itaú Unibanco, gestor do fundo.

Especialistas, portanto, esperam um aumento da participação de pessoas físicas nesse mercado. Hoje, o porcentual está em 11%. Para se ter uma ideia, no mundo, a participação de pessoas físicas é igual a de clientes institucionais. "Acredito que agora há uma tendência, como ocorreu lá fora, de grandes investidores ingressarem no fundo pensando no longo prazo, preocupados com a queda de rentabilidade da renda fixa", afirma Tatiana, do Itaú.





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