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15 de Abril de 2010

 

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Emprego na indústria deve continuar fraco, dizem analistas

Atividade industrial, porém, pode ter chegado em junho ao seu menor nível e deve começar a apresentar recuperação nos níveis de produção a partir de agora  

10 de agosto de 2012 | 14h 17
Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

SÃO PAULO - Os reflexos no emprego da retomada da atividade industrial esperada para este segundo semestre deve demorar para aparecer e nos próximos dois ou três meses os índices do mercado de trabalho no setor ainda se mostrarão fracos. A atividade industrial, porém, pode ter chegado em junho ao seu menor nível e deve começar a apresentar recuperação nos níveis de produção a partir de agora, ajudando a melhorar a situação do emprego. Esta é a opinião do analista da LCA Consultores Caio Machado sobre o desempenho do emprego industrial divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que recuou 0,2% na passagem de maio para junho e 1,8% ante junho de 2011.

De acordo com o analista, os dados de emprego acompanham os recentes resultados da produção industrial, que no primeiro semestre acumulou queda de 3,8% ante o mesmo período de 2011. Essa sincronia, avalia, deve continuar ao longo do ano. "Como nos meses anteriores, o emprego industrial reflete a perda de ímpeto da atividade industrial brasileira", diz.

Machado, no entanto, já vê melhoras em alguns setores da indústria motivadas pelas medidas de estímulo à economia tomadas pelo governo federal. "A indústria automotiva já mostra números bem mais robustos", afirma, em referência aos dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que apontam alta em julho na produção e no emprego de 8,8% e 0,5%, respectivamente, na comparação com junho.

Produtividade

Já o economista da Austin Rating Felipe Queiroz chama a atenção para o avanço de 2,5% no valor real da folha de pagamentos dos trabalhadores da indústria em junho ante maio, a primeira alta após três meses. De acordo com ele, o dado reflete a escassez de mão de obra especializada verificada em certos setores industriais, como o de petróleo e gás. "O Brasil passa por um momento de menor nível na taxa de desemprego e a demanda no mercado de trabalho por profissionais especializados cresceu bastante por pressão do setor de serviços", diz.

O efeito desse cenário na economia, explica Queiroz, é a perda de competitividade da indústria. "Precisamos de outros fatores para evitar uma indústria pouco produtiva", afirma. "Precisamos de investimento público", alerta o economista, referindo-se ao risco de a economia chegar a uma situação parecida com a de alguns países europeus onde a produtividade do trabalhador é menor do que na Alemanha, por exemplo, mas a remuneração é equivalente.

Estímulos

Para o analista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, deve haver um crescimento "forte" da indústria no segundo semestre, seja em razão dos incentivos fiscais para a indústria automotiva, seja pela desoneração da folha de pagamentos para setores que enfrentam competição externa acirrada, como o têxtil. "A Tendências trabalha com um crescimento anualizado do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,1% no final do segundo semestre", afirma, lembrando que isso deve ter efeito também sobre os dados do emprego industrial.

Mas Bacciotti alerta para a incerteza no ambiente econômico externo, principalmente em relação à desaceleração da economia chinesa, o que reduz o ímpeto do país asiático - maior destino de exportações de bens primários produzidos no Brasil. "Precisamos aguardar os próximos resultados do ambiente externo, ainda há muita incerteza com relação à questão fiscal na Europa e ao crescimento da China e dos Estados Unidos, o que limita as nossas exportações."

Queiroz, da Austin Rating, diz que as medidas de estímulo à indústria do governo federal precisam passar por um "período de maturação" até seus efeitos serem sentidos na economia real. "No caso dos cortes de juros, por exemplo, demora de seis a oito meses", afirma.

Em relação aos resultados divulgados hoje pelo IBGE, Queiroz destaca o emprego no setor de alimentos e bebidas, menos exposto à crise internacional. "As pessoas vão continuar consumindo independentemente do que está acontecendo na economia mundial", diz.





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