12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Empresas captam US$ 3,3 bi no exterior em dois dias e mercado já prevê recorde

Na volta das férias no Hemisfério Norte, investidor estrangeiro renova apetite por ativos brasileiros; prazo longo e custo ‘baixo’ atraem empresas

08 de setembro de 2010 | 23h 00
Leandro Modé, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Os investidores voltaram das férias no Hemisfério Norte com apetite redobrado por ativos do Brasil. Isso já se reflete, sobretudo, nas emissões de empresas brasileiras no exterior. Entre terça-feira e ontem, quarta-feira, 8, ocorreram três operações, num total de US$ 3,25 bilhões. Segundo informações de mercado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve captar US$ 1 bilhão nos próximos dias. Se o ritmo for mantido até o fim do ano, 2010 terá recorde nesse tipo de transação.

O movimento tem impacto direto na taxa de câmbio. O dólar fechou ontem com desvalorização de 0,17%, cotado a R$ 1,725. A queda teria sido ainda mais expressiva se não fosse a atuação do Banco Central (BC). Pela primeira vez desde maio, a instituição realizou dois leilões de compra da moeda americana - normalmente, faz um leilão diário.

Terça-feira, a Odebrecht levantou US$ 500 milhões com um tipo de bônus chamado perpétuo - ou seja, sem prazo definido de vencimento. Ontem, a Vale captou US$ 1,75 bilhão e a Telemar (Oi), US$ 1 bilhão. Segundo executivos, Banco do Brasil e Suzano Papel também devem fazer emissões em breve.

Especialistas afirmam que o bom momento é explicado por basicamente dois fatores. O primeiro é a farta liquidez no exterior, em razão dos juros historicamente baixos nos países desenvolvidos (nos EUA, por exemplo, estão em zero). O segundo fator é a confiança no Brasil, fruto, entre outros fatores, do selo de qualidade (investment grade) que o País recebeu em 2008 e 2009 e do crescimento econômico superior à média mundial.

"Eu compararia este momento que vivemos na renda fixa (emissão de dívida) com o que tivemos na renda variável (emissão de ações) em 2007", disse o vice-presidente executivo do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, referindo-se ao ano em que o Brasil bateu recordes em aberturas de capital (IPOs, em inglês).

O vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Alberto Kiraly, observa que, de janeiro a julho, o total de captações no exterior alcançou US$ 20 bilhões. Em igual período de 2009, foram US$ 8,4 bilhões. "A diferença principal está nos bancos, que saíram de US$ 210 milhões para US$ 8,8 bilhões." Mantido o ritmo, ele acredita que o valor captado em 2010 será recorde.

Fabio Mentone, diretor do Bradesco BBI, diz que a oferta de crédito é tão alta que, nos próximos meses, é provável que setores que não estão acostumados a acessar o mercado externo o façam. "As condições vão esquentar ainda mais nas próximas semanas", afirmou.

Uma das características dessa bonança é o fato de que as companhias brasileiras nunca pagaram tão pouco nas operações. A Vale, por exemplo, pagará 3,78% ao ano por um papel de 10 anos. Outra característica é justamente o prazo longo.


Siga o @EstadaoEconomia no Twitter