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Enxurrada de euros estimula a economia

14 de julho de 2012 | 17h 10
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo

FRANKFURT - Não é apenas trabalhadores que desembarcam na Alemanha por conta da crise em seus países de origem. Nos últimos dois anos, o mercado alemão atraiu bilhões de euros. Temendo uma quebra de bancos ou mesmo a saída da Grécia da zona do euro, os investidores optaram por levar seu dinheiro para o local mais seguro da Europa. Empresários e banqueiros alemães comemoram.
 
Desde 2009,  1 trilhão saiu dos bancos dos países do sul da Europa, seja por conta de correntistas em busca de um local seguro para suas economias ou por conta de investidores que buscavam novas oportunidades.

Na Espanha,  67 bilhões deixaram os bancos do país apenas em março. No primeiro trimestre, a sangria chegou a  97 bilhões. Nos últimos nove meses, a fuga atingiu  200 bilhões.

Na Itália, a fuga de capital dos bancos chegou no fim de março a  240 bilhões, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do banco central italiano. Desde que a crise eclodiu na Grécia no fim de 2009, correntistas e investidores já retiraram dos bancos do país  72 bilhões. Em Portugal, o auge da crise nos bancos foi em meados do ano passado. Entre janeiro e outubro,  11 bilhões foram retirados do país.

Parte dessa fortuna tomou o rumo do bancos alemães e da Bolsa de Frankfurt. O efeito é sentido em vários segmentos. De um lado, o governo de Angela Merkel nunca teve tanta facilidade para se financiar. Na semana passada, pela segunda vez, investidores pagaram para estacionar seu dinheiro na Alemanha. Ao emitir títulos da dívida, Berlim viu que os juros estipulados estavam negativos, enquanto na Espanha batia novos recordes.
 
Banqueiros não disfarçam a satisfação. No fim de abril, os depósitos em bancos alemães cresceram 4,4% em comparação ao mesmo período de 2011, para um total de  2,1 trilhões.
 
"Centenas de bilhões de euros entraram na Alemanha. Quem é que vai querer manter o capital depositado por anos em um banco que simplesmente pode quebrar", questionou o banqueiro alemão, Robert Halver. Para ele, a entrada de capital tem ajudado a economia alemã a resistir à crise. "Isso está sendo um dos elementos da solidez alemã."

Quem também comemora são as empresas do setor da construção. A chegada de capital do exterior tem se traduzido na busca cada vez maior por imóveis, principalmente no segmento de luxo, no momento em que o governo alemão desacelera os gastos com obras públicas. "Mansões de  10 milhões estão sendo compradas pelo telefone", revelou Rainer von Borstel, gerente para a região de Hessen da Confederação de Construção da Alemanha, uma das entidade de maior poder no país. "É uma loucura. Empresas têm recebido ligações da Grécia e de outros países do sul simplesmente pedindo ofertas de casas e fechando negócios por telefone."





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