12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Ex-premiê da Islândia é julgado por seu papel na crise bancária de 2008

Juízes decidirão se Geir Haarde pode ser responsabilizado pelo colapso do setor bancário do país

05 de setembro de 2011 | 11h 54
Gabriel Bueno, da Agência Estado

REYKJAVIK - O ex-primeiro-ministro da Islândia Geir Haarde torna-se nesta segunda-feira o primeiro líder político a ser julgado por causa da crise financeira global. Juízes decidirão se ele pode ser responsabilizado pelo colapso do setor bancário nacional.

Haarde rechaça as acusações, afirmando que são uma farsa. Ele foi um dos quatro políticos apontados em um relatório no ano passado como culpados por contribuir para o incrível colapso econômico do país, quando os principais bancos islandeses faliram em semanas.

O Parlamento decidiu em setembro passado que Haarde era o único que deveria ser acusado por "grave negligência" e assim ele será o primeiro a comparecer ao Landsdomur, um tribunal especial nunca antes utilizado, destinado a atuais e ex-ministros do país europeu.

Haarde, de 60 anos, diz que o julgamento é uma farsa movida por desafetos políticos. Ele deve apresentar seu terceiro pedido pelo arquivamento do caso. Analistas políticos criticaram a decisão do Parlamento de apresentar acusações contra o ex-premiê. "Infelizmente, o Parlamento não agiu com inteligência quando decidiu apresentar acusações", afirmou Gunnar Helgi Kristinsson, cientista político da Universidade da Islândia, em entrevista à France Presse. Segundo ele, disputas pessoais envolvendo membros do grupo que era oposição estão por trás das acusações.

O atual ministro das Finanças, Steingrimur Sigfusson, tem sido um dos principais adversários de Haarde. Ele argumentou que o caso é importante, em princípio. "Quando ficou claro que estávamos caminhando para uma catástrofe...o histórico mostra que muito pouco foi feito para evitá-la", disse Sigfusson recentemente, explicando o porquê de achar o julgamento necessário.

Haarde insiste que seu governo "salvou o país da bancarrota". Ele afirma que se o governo tivesse agido de maneira diferente quando os bancos faliram, em outubro de 2008, a economia iria ladeira abaixo. Quando o setor financeiro islandês implodiu, seus três principais bancos mantinham ativos em um valor equivalente a 923% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

"Nós precisávamos deixá-los ir. Eles faliram, e ficou claro agora que esta foi a coisa certa a fazer", disse Haarde. Segundo ele, "houve um colapso bancário, mas a economia real, toda a capacidade produtiva no país foi mantida intacta e ainda está operando". A falência dos bancos provocou uma profunda recessão e fez a coroa islandesa se desvalorizar muito.

Haarde, o chefe do direitista Partido Independência, que manteve o governo entre meados de 2006 e o início de 2009, foi deposto em meio a grandes protestos populares por causa da crise. A economia voltou gradualmente a crescer e observadores dizem que o país pode não precisar das últimas parcelas de um pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). As informações são da Dow Jones.


Siga o @EstadaoEconomia no Twitter