Executivo do BC inglês contesta versão do Barclays
Em depoimento, vice-presidente do BC, Paul Tucker, negou ter encorajado o Barclays a manipular taxa de crédito interbancário
LONDRES - O vice-presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Paul Tucker, negou nessa segunda-feira ontem que tenha encorajado o Barclays ou qualquer outro banco do Reino Unido a informar taxas de financiamento interbancário (Libor) artificialmente baixas durante o auge da crise financeira.
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Durante depoimento aos parlamentares britânicos, Tucker contestou a versão dos acontecimentos apresentada pelo ex-presidente do Barclays, Robert Diamond, que renunciou após o escândalo de manipulação da Libor envolvendo o banco.
Em nota emitida pelo Barclays, Diamond disse que, durante conversa por telefone ocorrida em outubro de 2008, Tucker teria manifestado preocupações de autoridades seniores do governo britânico com as taxas acima da média operadas pelo Barclays no mercado interbancário de Londres.
"Tucker declarou que nem sempre precisa ser o caso de aparecermos (com uma taxa) tão elevada quanto recentemente", escreveu Diamond em e-mail para dois colegas no mesmo dia, após o telefonema.
Defesa
Hoje, o presidente do comitê do Parlamento, Andrew Tyrie, questionou Tucker se a nota de Diamond refletia corretamente a conversa mantida entre os dois. "Não totalmente", respondeu Tucker. "A última frase dá uma impressão errada", afirmou, acrescentando que "definitivamente não encorajou" qualquer banco a reduzir suas ofertas de Libor.
Tucker vem sendo apontado como o principal candidato interno à sucessão do presidente do BoE Mervyn King quando este concluir seu mandato, no próximo ano. Na última semana, ele acabou envolvido pelo escândalo sobre manipulação da taxa Libor.
Hoje, o Banco da Inglaterra divulgou uma série de e-mails escritos em 2008 que mostram que Tucker manteve contato regular com Jeremy Heywood, um dos principais assessores do então primeiro-ministro Gordon Brown, para discutir os problemas de financiamento dos bancos do Reino Unido. Essas mensagens trocadas entre Tucker e Heywood, entretanto, não discutem em nenhum momento sobre encorajar bancos a submeterem falsos resultados de seus custos de financiamento à comissão que calcula a Libor.
Alerta
Na semana passada, duas agências de classificação de risco fizeram alertas sobre os crescentes riscos relacionados ao Barclays e ao setor bancário do Reino Unido. A Moody's Investor Service e a Standard & Poor's rebaixaram suas perspectivas para o Barclays de estável para negativa, citando os riscos de o modelo de negócios do banco sofrer mudanças após a reação política e de órgãos regulatórios ao escândalo.
A Fitch Ratings não alterou a perspectiva do banco, mas ressaltou que, com o escândalo, cresceram "os riscos regulatórios e de reputação" para o Barclays e outras instituições envolvidas na manipulação de taxas de juros. Nenhuma das agências, no entanto, rebaixou a nota de crédito do Barclays.
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