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Exportação cai, apesar de mudança na política cambial

Real mais fraco dá competitividade à indústria, mas falta demanda e volume embarcado para o exterior cai 13,6% em junho

14 de julho de 2012 | 16h 26
Raquel Landim, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O Brasil está exportando uma quantidade significativamente menor de produtos, apesar da desvalorização cambial. Dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), obtidos pelo ‘Estado’, mostram que o volume embarcado caiu 13,6% no mês passado em relação a junho de 2011 - com destaque para os manufaturados, que recuaram 21,6%. O tombo anulou a tênue recuperação que ocorria nas quantidades exportadas pelo País. No semestre, a alta é de apenas 0,4%.

As empresas brasileiras ganharam mais rentabilidade com o enfraquecimento da moeda, mas os clientes estão comprando menos e os governos se tornaram mais protecionistas. A demanda está mais fraca por causa da crise global, que atingiu não apenas os países ricos, mas também os emergentes. Os empresários também relatam que ficaram praticamente fora do mercado por muitos anos e acabaram perdendo espaço para os chineses.

"Junho foi realmente um ponto de inflexão. Os dados demonstram que a demanda externa é sempre a variável mais significativa para o desempenho das exportações", diz Rodrigo Branco, economista da Funcex. Na sua avaliação, o protecionismo da Argentina é o grande responsável pelo fraco desempenho na vendas de manufaturados, que também sofreram o impacto da menor demanda na Europa.

Para o gerente de exportação da gaúcha Herval Móveis, Alcebíades Aquiles Cedeno, a desvalorização cambial tem surtido pouco efeito, porque a empresa perdeu muito mercado para a China. "Quando o governo se deu conta do problema do câmbio, já era tarde demais", diz. Ele conta ainda que o real mais fraco elevou os custos dos insumos importados. Nos últimos anos, a companhia substituiu tecidos e ferragens nacionais por importados e agora não consegue fazer o caminho de volta, porque os antigos fornecedores quebraram.

Nos últimos 12 meses, o dólar se valorizou 30% em relação a real, de R$ 1,575 para R$ 2,037 na última sexta-feira. O movimento foi mais acentuado recentemente, depois das intervenções do governo. Apenas do fim de março até agora, a alta chega a 11,4%. As exportações, no entanto, foram no sentido contrário. Em valores, as vendas externas brasileiras subiram 10,4% em 12 meses, mas recuaram 1,7% no ano e 14,2% apenas em junho.

A perda de valor do real foi decisiva para melhorar a rentabilidade das exportações, que subiu 8,5% de janeiro a maio, conforme índice calculado pela Funcex. "É evidente que a desvalorização é favorável para a competitividade da indústria, mas só vamos sentir o impacto nas exportações em 2013", acredita Flávio Castelo Branco, economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Nossa rentabilidade melhorou, porque faturamos as vendas com um dólar mais baixo e temos mais margem de negociação com o cliente. Mas a demanda externa está muito fraca", disse Waldemar Sehmem Júnior, trader do setor de exportação da fabricante de roupas infantis Brandili. Ele conta que as vendas cresceram 10% para a América Latina no semestre, mas recuaram 50% para a Europa.

Para a fabricante de tratores e colheitadeiras AGCO, o problema não é a falta de demanda, mas o protecionismo. As exportações de tratores da empresa cresceram apenas 4% no semestre por conta das barreiras da Argentina. Para fugir das restrições, a empresa anunciou na semana passada uma fábrica no país vizinho. "O câmbio melhorou, mas o custo Brasil ainda é alto", diz o gerente-geral da AGCO América do Sul, André Carioba.
 
Commodities. Os dados da Funcex também demonstram que a queda das commodities deprime as exportações, mas, no mês passado, teve um efeito menos deletério que os menores volumes embarcados. Os preços das exportações recuaram 5,5% em junho comparado com junho de 2011, puxados pela baixa de 9,6% dos produtos básicos.





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