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Fabricantes de máquinas pedem dólar a R$ 2,50

Além da demanda fraca, economistas dizem que indústria enfrenta também problemas estruturais 

14 de julho de 2012 | 16h 24
Fernando Dantas, de O Estado de S.Paulo

RIO - Além de causas mais imediatas ligadas à fraca demanda doméstica e internacional, a indústria brasileira também tem problemas mais estruturais. Os mais citados são a evolução decepcionante da produtividade, o aumento do custo salarial, a falta de mão de obra qualificada, a alta e complexa carga tributária, o elevado custo da energia e a infraestrutura deficiente.

Para Rafael Bacciotti, economista da Consultoria Tendências, "o governo tem tomado uma série de medidas beneficiando um setor o outro, mas as questões estruturais impedem uma retomada mais significativa da indústria".

O câmbio valorizado (um pouco menos agora), se for considerado como reflexo do modelo econômico brasileiro, também pode ser visto como um problema estrutural da indústria.

Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), considera que "para dar um mínimo de competitividade (à indústria nacional), o câmbio tinha de estar em R$ 2,4, R$ 2,5".

Aubert Neto diz que, em 2004, uma parcela de 60% da produção de máquinas e equipamentos era nacional, e 40% era importada, enquanto que hoje as importações já tomaram 70% do mercado. "Nosso setor está sendo dizimado, estamos virando meros distribuidores ou representantes de empresas lá fora".

No caso da sua própria empresa de engrenagens e redutores de velocidade em São Paulo, ele diz que a solução para a perda de competitividade, que impossibilitou as exportações, foi investir em serviços, como reforma de equipamentos, que hoje já responde por 60% do faturamento.

Segundo o presidente da Abimaq, a ocupação da capacidade no setor de máquinas e equipamentos está em 72%, o menor nível dos últimos 40 anos.
 
"Estamos numa guerra comercial, e precisamos tomar medidas emergenciais", diz o empresário, que defende aumento de tarifas de importação para equipamentos produzidos no Brasil. Ele menciona uma oferta recente de uma empresa de equipamentos japonesa para o mercado brasileiro, com financiamento de dez anos, dois de carência, juros anuais de 1,75% ao ano e desconto de 23%.

O economista Fernando Rocha, sócio da gestora de recursos JGP, no Rio, nota que, no setor de bens duráveis, há fortes indicações de que a demanda aquecida foi suprida nos últimos anos pelas importações.

Do início de 2007 até maio de 2012, a produção de bens duráveis ficou praticamente parada, enquanto as importações subiram mais de 400%. Já o consumo de bens duráveis teve alta acima de 60%. Levando em conta a penetração das importações na oferta de bens duráveis, ele acha que aqueles números indicam que praticamente toda o aumento da demanda foi suprido por importados. Ele acrescenta que esse fenômeno está basicamente ligado ao setor de automóveis.





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