Fila para comprar carro chega a 3 meses
Com a corrida às concessionárias, vários modelos estão em falta e comprador corre o risco de perder o desconto pela redução do IPI
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Com a possibilidade de o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acabar no fim do mês, houve corrida às lojas e vários modelos estão em falta, principalmente aqueles lançados recentemente.
O consumidor que deseja comprar um Fiat Grand Siena, por exemplo, tem de esperar três meses e, quando receber o sedã, provavelmente terá perdido o desconto. O compacto Palio Sporting, versão top da linha, também tem espera de 90 dias.
O sedã Cobalt e o monovolume Spin, da General Motors, têm versões com fila de 30 a 60 dias. Desde o anúncio do corte do IPI, em maio, as montadoras – que nos dois meses anteriores operaram com semana reduzida de trabalho – voltaram a fazer horas extras, mas ainda assim há falta de alguns carros.
No mês passado, a Fiat contratou 600 funcionários para ampliar a produção diária de 3 mil para 3.150 unidades em Betim (MG). Na GM, os funcionários de São Caetano, do Sul estão trabalhando dois sábados por mês.

Na Volkswagen de São Bernardo do Campo e de Taubaté há expediente quase todos os sábados desde junho. Na Honda, os funcionários de Sumaré cumprem 2,5 horas extras por dia desde julho. A Ford, que chegou a adotar a semana de quatro dias, agora opera em ritmo normal.
Produção em queda
Na opinião do sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, a manutenção do corte do IPI até o fim do ano "é fundamental para engatilhar uma recuperação mais substancial da economia em 2013". Para ele, o fim do incentivo "vai frustrar um movimento de expansão gradual" da indústria automobilística e do setor industrial como um todo.
Mesmo com o IPI menor, a produção de carros está caindo 8,5% em relação ao ano passado, enquanto as vendas apresentam alta de 4,9% até julho. Silveira acredita que, sem o benefício, o setor fechará o ano com resultados abaixo do esperado.
Em dezembro de 2008, na crise internacional, o governo reduziu o IPI inicialmente por três meses. O benefício foi prorrogado até março de 2010, ainda que no último período a volta à alíquota cheia tenha sido gradual. Naquele período, o governo não exigiu a manutenção de empregos num primeiro momento e houve cortes. Desta vez a exigência fez parte do acordo e foram abertas 2,7 mil vagas desde maio.
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