12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

FMI pode exigir ações prévias antes de liberar resgate da Grécia

Fundo deve pedir que país implemente uma série de políticas econômicas, que, apesar de já terem sido pedidas, ainda não entraram em vigor

09 de fevereiro de 2012 | 14h 49
Gustavo Nicoletta e Clarissa Mangueira, da Agência Estado

WASHINGTON/BRUXELAS - O Fundo Monetário Internacional (FMI) pode exigir que a Grécia implemente uma série de políticas econômicas antes de contribuir com o programa de empréstimos ao país, afirmou Gerry Rice, porta-voz do fundo, durante uma entrevista coletiva. "É muito provável que haja uma série do que chamamos de ações prévias no programa, coisas que precisamos que sejam feitas antes de prosseguirmos."

Boa parte das "ações prévias" que a Grécia precisará tomar na verdade são reformas que o FMI já havia exigido do país, mas que não foram implementadas.

Rice acrescentou que o FMI quer garantias dos líderes políticos da Grécia de que não haverá mudanças nas metas do programa de empréstimos após as eleições no país, que devem acontecer em abril. Alguns economistas dizem que se a Grécia conseguir a liberação dos recursos necessários para evitar um default em março, haverá espaço para o novo governo alterar os termos do acordo.

Hoje cedo o primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, informou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, que chegou a um acordo com os líderes políticos do governo para garantir a aprovação de mais uma série de medidas de austeridade fiscal no parlamento do país. As reformas são uma das condições impostas pelo fundo e pela União Europeia para a liberação de mais empréstimos aos gregos.

Notícias "muito encorajadoras"

Há notícias "muito encorajadoras" provenientes da Grécia, disse a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, a caminho da reunião dos ministros das Finanças da zona do euro em Bruxelas. Mas ela acrescentou que há ainda trabalho a ser feito.

Ferramentas heterodoxas

O Banco Central Europeu (BCE) não deve hesitar em usar ferramentas heterodoxas para estabilizar os mercados financeiros e deveria diminuir as taxas referenciais de juros, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI). Hoje cedo, o BCE manteve a taxa de juro em 1%.

"Diante da redução nas pressões inflacionárias e da perspectiva econômica negativa para a zona do euro, continuamos vendo espaço para uma política monetária mais frouxa", afirmou Gerry Rice, porta-voz do FMI, durante uma entrevista coletiva. "Dada a tensão persistente no mercado, o BCE não deveria hesitar em utilizar políticas monetárias heterodoxas para garantir a ordem dos mercados financeiros", acrescentou.

Aprovação política

Para Evangelos Venizelos, ministro das Finanças da Grécia, a Grécia fechou um acordo "forte e crível" com a troica de credores oficiais sobre um novo pacote de socorro, mas ainda precisa da aprovação dos ministros das Finanças da zona do euro o Eurogrupo. Ele também afirmou que a Grécia tem um acordo com os credores privados sobre os "parâmetros básicos" de uma reestruturação da dívida com o envolvimento do setor privado.

"Nós temos um acordo com a troica sobre um novo programa forte e crível. Nós também temos um acordo com os credores privados sobre os parâmetros básicos do envolvimento do setor privado. Nós precisamos agora de uma aprovação política do Eurogrupo para os passos finais", acrescentou Venizelos.

Já o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, que preside o Eurogrupo, afirmou que "provavelmente não haverá um acordo hoje" sobre um novo pacote de ajuda à Grécia entre os ministros de Finanças dos países da zona do euro. Mas isso não será um desastre, alertou Juncker.

"Temos de discutir diversos elementos das propostas que serão submetidas a nós, e não acho que teremos uma decisão final hoje. Isso não é um desastre, o debate tem de ser contínuo", explicou, a caminho da reunião do Eurogrupo.

 Renúncia

O vice-ministro do Trabalho da Grécia, Yannis Koutsoukos, renunciou hoje em função das duras medidas de austeridade que o país aceitou adotar em troca do segundo pacote internacional de resgate, segundo informou uma autoridade do ministério.

Mais cedo hoje, o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, disse que as conversas com a chamada troica de credores internacionais - formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - foram concluídas com sucesso, após os líderes dos principais partidos políticos do país chegarem a um acordo sobre os planos de austeridade. As informações são da Dow Jones.


Siga o @EstadaoEconomia no Twitter