12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

FMI pressiona UE a aliviar exigências à Grécia, diz ‘WSJ’

Segundo fontes, o Fundo enfrenta descontentamento entre países membros por causa das altas quantias emprestadas a países da zona do euro

06 de agosto de 2012 | 17h 09
Renato Martins, da Agência Estado

BRUXELAS - Fontes citadas pelo Wall Street Journal disseram que o FMI está pressionando os governos dos países da União Europeia a tomarem medidas para aliviar as exigências feitas à Grécia em troca de ajuda financeira. Segundo essas fontes, o FMI está enfrentando descontentamento entre seus países membros por causa das altas quantias que a instituição emprestou a países da zona do euro.

As pressões do FMI, que têm sido evidentes nas reuniões entre seus representantes e funcionários da zona do euro, são uma reação às evidências crescentes de que a recessão profunda enfrentada pela Grécia tirou o programa de ajuda ao país do caminho estabelecido no começo deste ano. Os funcionários do FMI argumentam que a dívida da Grécia precisa ser reduzida para níveis sustentáveis antes de o Fundo liberar mais bilhões de euros para evitar que o país fique sem recursos.

Segundo as fontes, a maneira mais eficaz de fazer isso seria os credores multilaterais da Grécia concordarem em perdoar parte da dívida. Mas essa proposta enfrentaria oposição firme de alguns governos de países da zona do euro, entre eles a Alemanha, que já emprestaram 127 bilhões de euros para a Grécia e estão intransigentes na posição de que os gregos não devem esperar receber mais concessões.

Um porta-voz do FMI preferiu não comentar essas informações.

Níveis sustentáveis

A definição exata dos "níveis sustentáveis" de dívida deverá estar no centro de um debate que deverá durar meses, sobre como endireitar o pacote de ajuda e manter a Grécia na zona do euro. O FMI agora quer que a dívida da Grécia esteja mais próxima dos 100% do PIB em 2020, quando se supõe que o país tenha acabado de pagar 33 bilhões de euros recebidos como crédito do próprio Fundo.

Essa cifra é consideravelmente mais baixa do que a meta de 120% do PIB que consta do acordo concluído em fevereiro, quando a Grécia, a União Europeia e o FMI acertaram um novo pacote de ajuda que incluía perdas para os credores privados. A mudança de posição reflete a preocupação dos quadros técnicos do FMI de que mesmo o cumprimento das metas estabelecidas não deixará a Grécia em posição de pagar suas dívidas até 2020.

A disputa latente dá uma indicação das tensões que a Grécia e sua dívida continuarão a gerar entre os credores multilaterais se o país continuar na zona do euro. As finanças da Grécia se deterioraram agudamente desde fevereiro e o PIB do país deverá encolher mais de 7% neste ano; em fevereiro, a projeção para a contração da economia grega era de 4,7%. Além disso, a recessão, que deverá prosseguir em 2013, deprimiu a arrecadação de impostos, fez crescerem os gastos do governo com a rede de seguridade social e ampliou o déficit público.

As fontes disseram que o FMI levantou várias opções para fechar o rombo e levar a dívida da Grécia para mais perto dos 100% do PIB, mas essas ideias estão enfrentando intransigências na Europa. A proposta mais suave incluiria uma nova redução nos juros que a Grécia tem de pagar pelos empréstimos dados pela União Europeia. Entre 2012 e 2014, a Grécia tem mais de 39 bilhões em euros em pagamentos de juros.

As propostas mais controvertidas politicamente incluem a aceitação, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais dos países da zona do euro, de uma redução de 30% no valor de face dos bônus gregos, estimados em 50 bilhões de euros, disse um funcionário, ou reduções semelhantes no valor dos empréstimos bilaterais que deram à Grécia. O próprio FMI é um credor sênior da Grécia e dá crédito ao país com base no pressuposto de que não haverá reduções no valor dos créditos que concedeu.

Mecanismo Europeu de Estabilidade

Uma medida que reduziria dramaticamente a carga da dívida grega seria o Mecanismo Europeu de estabilidade (ESM) assumir os quase 50 bilhões de euros em dívida que o governo grego está assumindo para recapitalizar os bancos do país. Em junho, os chefes de governo dos países da zona do euro concordaram em permitir que o ESM injete capital diretamente nos bancos dos países da região e disseram que o ESM, quando tiver autoridade para isso, poderá usá-la retroativamente para emprestar 100 bilhões de euros para a recapitalização dos bancos espanhóis. De acordo com um funcionário da UE, fazer o mesmo pela Grécia reduziria a dívida do governo do país em 15% a 20% do PIB.

Essas discussões só deverão ganhar impulso dentro de um mês, quando o FMI, o BCE e a Comissão Europeia deverão fazer uma revisão sobre o pacote de ajuda à Grécia. Representantes do trio deixaram Atenas neste domingo, depois de passarem uma semana revisando as contas do país, e disseram que deverão voltar à Grécia no começo de setembro.

Um funcionário disse que a UE quer esperar a decisão do Tribunal Constitucional da Alemanha sobre se o ESM está de acordo com a Constituição do país antes de discutir a proposta de permitir que o fundo participe, mesmo que parcialmente, do financiamento á recapitalização dos bancos gregos.

Para obter qualquer ajuda nova de seus parceiros na zona do euro, o governo da Grécia terá de mostrar que redobrou seus esforços para implementar as chamadas reformas estruturais, que incluem a melhora na arrecadação de impostos, mais flexibilização do mercado de mão de obra e uma nova rodada de privatizações. "Se for mais um caso de falsas promessas gregas, o que vai acontecer é que o financiamento existente vai parar e a Grécia vai se ver fora da zona do euro", disse um dos funcionários. As informações são da Dow Jones.





Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui


Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.