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15 de Abril de 2010

 

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França cortará até € 5 bi no orçamento de 2013

Presidente François Hollande critica austeridade alemã, mas continua aprofundando a política de rigor em Paris; em 2013 já são € 38 bilhões em cortes

18 de fevereiro de 2013 | 18h 52
Andrei Netto, correspondente

PARIS - Uma semana depois de anunciar que não conseguirá cumprir a meta de redução do déficit público a 3% do PIB em 2013, o governo da França procura entre € 4 bilhões e € 5 bilhões em novos cortes no orçamento público com o objetivo de reduzir o buraco fiscal. A informação veio a público nesta segunda-feira, 18, pela imprensa francesa e ressaltou o discurso ambíguo do presidente François Hollande na condução da crise das dívidas. Enquanto prepara mais um pacote de rigor, o socialista leva a Grécia um discurso contra a austeridade, uma crítica indireta à Alemanha de Angela Merkel.

Conforme o jornal Les Echos, a lei de programação 2013-2015, que estabelece a previsão de gastos para o triênio na França, já sofre com o déficit mais elevado do que o previsto. Daí a necessidade de buscar entre € 4 bilhões e € 5 bilhões em cortes suplementares na máquina pública - e isso em breve, porque o buraco já acontece no orçamento de 2013. Para recobri-lo, o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, deve ordenar mais retenção fiscal aos seus ministros nos próximos dias.

A iniciativa, porém, gerou contrariedade entre membros do governo, que afirmam ter chegado ao limite dos cortes de gastos. "O desendividamento público é um imperativo, não há dúvida. Mas a resposta à situação financeira da França não pode ser apenas reduzir e cortar despesas", afirmou a ministra da Habitação, Cécile Duflot. "Ninguém acredita que da austeridade nascerá o retorno dos melhores tempos. É preciso investir." Na mesma linha, a ministra do Desenvolvimento Sustentável, Delphine Batho, afirmou neste final de semana que seu ministério "já chegou ao máximo que podia fazer em termos de economias".

Pressionada pela contenção de despesas do Estado, a economia francesa registrou crescimento nulo em 2012, inferior aos 0,3% previstos pelo Palácio do Eliseu. Ontem, o ministro da Economia, Pierre Moscovici, confirmou que o governo deverá rever sua projeção para 2013, que previa um aumento de 0,8% do PIB. "Nas próximas semanas nós seremos provavelmente levados a repensar nossa perspectiva de crescimento", admitiu.

Para o economista Mathieu Plane, analista do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), a nova redução de perspectiva tem relação direta com a política de rigor. Só em 2013, o governo deverá economizar € 38 bilhões, parte de um esforço de € 100 bilhões até 2015. "É muito. Estes € 38 bilhões poderiam ser divididos entre medidas de austeridade e políticas de relançamento da atividade e do emprego", entende.

Não à austeridade. Na semana em que ordena os cortes de gastos em Paris, o Hollande vai à Grécia defender menos austeridade. O sinal foi dado pelo chefe de Estado em uma entrevista ao jornal grego Ta Néa a respeito dos objetivos de sua viagem a Atenas. "O sentido de minha visita é demonstrar o apoio da França para que a Grécia seja bem sucedida e para que a Europa avance com ela", afirmou, manifestando sua solidariedade com com os gregos, que enfrentam uma taxa de desemprego da ordem de 27% da população ativa. "Na Grécia, os sacrifícios pedidos à população foram mais dolorosos que em outros lugares. O saneamento das finanças públicas é necessário, mas não é o suficiente."

A visita de Hollande acontece hoje, um dia antes de uma nova greve geral convocada por sindicatos de trabalhadores do setor público e da iniciativa privada contra as medidas de rigor. "As medidas de apoio ao crescimento são indispensáveis. Eu recuso uma Europa que condenaria os países à austeridade sem fim", criticou, denunciando também "as divisões entre a Europa do norte e a do sul" e pedindo mais solidariedade e ressaltando que a França e a Grécia têm vínculos "mais antigos" e "mais naturais" do que a Alemanha e a Grécia.

A despeito do discurso de Hollande, a política exigida por Bruxelas não mudou nos últimos três anos. O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, líder de uma coalizão conservadora, tem de enfrentar uma depressão sem fim na economia do país. Em 2012, o recuo do PIB foi de 6,4% - o maior da Europa.



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