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15 de Abril de 2010

 

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G-20 tenta evitar que problemas da Europa atinjam a Itália

 Segundo reportagem do 'Wall Street Journal', No G20 acredita-se que a quebra da Grécia envie uma onda de choque que atingiria primeiro a Itália e depois outros países

03 de novembro de 2011 | 20h 47
Agência Estado

CANNES -

Premiê italiano Silvio Berlusconi chega para os encontros do G20 - Philippe Wojazer/Reuters
Philippe Wojazer/Reuters
Premiê italiano Silvio Berlusconi chega para os encontros do G20

Enquanto a Grécia era consumida pela turbulência política, líderes do G20 reunidos em Cannes discutiam meios de isolar a Itália, considerado o país mais provável de se tornar a próxima vítima no caso de disseminação da crise da dívida da zona do euro.

A Itália tornou-se a principal preocupação dos líderes reunidos em Cannes depois de os Estados Unidos, a China e outros integrantes do G-20 terem começado a temer que os europeus talvez não consigam evitar o colapso total da economia da Grécia. Acredita-se que a quebra da Grécia envie uma onda de choque que atingiria primeiro a Itália e depois outros países.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, chegou cedo a Cannes para reunir-se com os demais líderes do G-20 e tentar a garantir a eles que seu país dispõe de um plano eficaz de fazer frente ao crescente endividamento.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anfitrião da cúpula, advertiu que a credibilidade da zona do euro está em jogo e que a Itália precisa dar mais garantias de que seu pacote de redução do déficit esteja encaminhado. "A questão não é o teor do pacote, mas sua implementação", comentou Sarkozy em conversa com jornalistas depois de uma série de reuniões com líderes do G-20.

A Itália enfrenta cada vez mais dificuldade para emitir dívida a custos aceitáveis e Berlusconi encontra dificuldade para levar adiante medidas de austeridade fiscal diante do crescente descontentamento de setores trabalhistas. Economistas temem que a zona do euro não esteja preparada para lidar com o colapso de um país do porte da Itália.

"O aspecto mais importante de nossa missão pelos próximos dois dias é resolver a crise financeira aqui na Europa", disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em entrevista coletiva concedida no primeiro dos dois dias de cúpula.

Apesar de terem manifestado a disposição de ajudar, líderes não europeus do G-20 deixaram claro o desejo de que a zona do euro primeiro saia da crise com suas próprias pernas.

"A solução para os problemas da dívida europeia depende da Europa", disse o presidente chinês, Hu Jintao, a Sarkozy, segundo declaração publicada no site do Ministério das Relações Exteriores da China.

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, manifestou a expectativa em que o governo da Grécia "tenha controle suficiente para permanecer no caminho e finalmente receber os recursos para superar a crise que atinge sua economia. É do interesse de todos a preservação do euro".

Os líderes do G-20 também discutiram hoje a possibilidade de o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentar o apoio financeiro aos países em dificuldade na zona do euro, segundo fontes. Mas o apoio à ideia não é garantido.

Enquanto isso, a situação política grega agravava-se com o passar das horas. Já à noite, o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse estar pronto a renunciar ao cargo caso isso seja necessário para alcançar um acordo com a oposição para a formação de um governo de união nacional. Falando no Parlamento grego, Papandreou, do Partido Socialista (Pasok), afirmou estar pronto a discutir qualquer questão levantada pelo líder do partido oposicionista Nova Democracia, Antonis Samaras. Os dois conversaram pelo telefone nesta quinta-feira, num esforço para encerrar uma crise política que poderia levar a Grécia a sair da zona do euro.

Samaras pediu que Papandreou renunciasse ao cargo e disse que os dois partidos deveriam concordar com a formação de um governo provisório, que aprovaria o novo acordo de ajuda europeia para a Grécia e convocaria eleições gerais antecipadas. Segundo Papandreou, "as questões que Samaras levantou para a formação do governo, ou para o momento para as eleições, não podem ser rejeitadas, nem necessariamente aceitas a priori. Não excluí nada da discussão, inclusive minha própria posição".

Amanhã, o governo liderado por Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento do país; Samaras já anunciou que votará contra o governo. O Pasok tem tênue maioria no Parlamento e pelo menos dois deputados do partido governista já anunciaram que não vão dar votos de confiança no governo, o que significa que ele não deverá continuar.

O raro ponto de luz no horizonte veio de Frankfurt, onde o Banco Central Europeu (BCE) surpreendeu os analistas com um corte na taxa de juro com o objetivo de dar suporte ao crescimento econômico na zona do euro.

As informações são da Dow Jones. (Ricardo Gozzi)


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