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15 de Abril de 2010

 

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Gasto do brasileiro no exterior aumenta mesmo com dólar em alta

Na avaliação do BC, as despesas fora do País, que somaram US$ 1,8 bi em maio, ainda não diminuíram porque boa parte das viagens já estava acertada

22 de junho de 2012 | 12h 08
Estadão.com.br e Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado

SÃO PAULO/BRASÍLIA - Apesar de o dólar seguir uma trajetória de alta neste ano, os brasileiros seguem gastando bastante no exterior. Em maio de 2012, as despesas de brasileiros fora do País somaram US$ 1,8 bilhão, quantia quase 10% maior que a registrada no mesmo mês de 2011, US$ 1,7 bilhão, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 22, pelo Banco Central. O montante é recorde para meses de maio da série histórica.

Em janeiro de 2012, os turistas brasileiros desembolsaram US$ 1,99 bilhão. Esse valor recuou para US$ 1,74 bilhão em fevereiro e US$ 1,62 bilhão em março. O aumento das despesas em maio ocorre no momento em que o dólar turismo passa dos R$ 2. A moeda americana começou o mês passado cotada a R$ 2,0130 e terminou em R$ 2,0830.

Já a quantia gasta pelos estrangeiros no Brasil se manteve praticamente estável de maio de 2011 a maio de 2012. O aumento no período foi de 0,9%, saltando de US$ 527 milhões para US$ 532 milhões.

Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, o fluxo de viagens internacionais feitas pelos brasileiros continua "significativo", mas a perspectiva é de arrefecimento, principalmente se comparado com o ano passado. Ele salientou que o dólar em relação ao real está cotado hoje na casa de R$ 2,00 e que em igual período de 2011 estava perto de US$ 1,60.

"Com o encarecimento das despesas, a expectativa é de que (o fluxo de viagens) venha a se moderar", disse durante entrevista coletiva. A expectativa do Banco Central para essa rubrica ao final do ano recuou, passando de US$ 15,5 bilhões para US$ 13 bilhões.

Na avaliação do chefe de departamento, apesar da alta do dólar, o fluxo ainda não diminuiu porque boa parte das viagens já estava contratada. "Por isso não sentimos ainda um efeito imediato na magnitude que se poderia imaginar, mas isso é rápido, em dois ou três meses", previu.

Transações correntes

A conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior apresentou déficit de US$ 3,468 bilhões em maio, de acordo com os números divulgados pelo BC. No acumulado do ano de janeiro a maio, o déficit em conta corrente foi de US$ 20,958 bilhões, o equivalente a 2,19% do PIB. Até abril, o déficit em transações correntes estava em US$ 17,490 bilhões (2,05% do PIB).

O resultado de maio foi menos deficitário do que o de abril, quando o saldo ficou negativo em US$ 5,403 bilhões. O resultado do mês passado também foi melhor do que o de maio de 2011, quando as transações correntes registraram déficit de US$ 4,180 bilhões.

No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o saldo em conta corrente é negativo em US$ 50,881 bilhões, o que representa 2,11% do PIB.

Já a previsão do Banco Central para o déficit em transações correntes em 2012 foi reduzida de US$ 68 bilhões para US$ 56 bilhões. Entre as causas dessas expectativas de déficit mais enxuto, a estimativa de saldo negativo da conta de serviços diminuiu de US$ 42,1 bilhões para US$ 39 bilhões.

O BC também anunciou que espera um menor superávit comercial em 2012, já que a previsão foi realinhada de US$ 21 bilhões para US$ 18 bilhões. Esse ajuste é resultado especialmente da perspectiva de desempenho mais moderado das exportações, que devem somar US$ 258 bilhões até o final do ano, ante uma previsão original US$ 10 bilhões superior, que era de US$ 268 bilhões. Já nas importações, a estimativa do BC passou de US$ 247 bilhões para US$ 240 bilhões para o ano.

Investimento Estrangeiro Direto

O ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil somou US$ 3,716 bilhões em maio. Nos primeiros cinco meses do ano, o IED somou US$ 23,323 bilhões, o equivalente a 2,44% do PIB. Nos 12 meses até maio, o fluxo de IED caiu para US$ 62,956 bilhões, o que corresponde a 2,61% do PIB.





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