Gregos reagem com violência e protestos a pacote de austeridade
A polícia informou que 150 lojas foram saqueadas e 48 prédios incendiados na capital. Cerca de cem pessoas, incluindo 68 policiais, ficaram feridas e 130 foram presas
ATENAS - A noite foi de muitos protestos em Atenas, capital da Grécia, após a aprovação pelo Parlamento, na noite de domingo, de um impopular pacote de medidas de austeridade exigidas por credores internacionais.
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A polícia informou que 150 lojas foram saqueadas e 48 prédios incendiados na capital. Cerca de cem pessoas, incluindo 68 policiais, ficaram feridas e 130 foram presas.
Os primeiros distúrbios tiveram início durante a tarde, quando 80 mil pessoas se concentraram na Praça Syntagma durante a sessão do legislativo, que resultaria na aprovação do pacote por 199 votos contra 74. No interior do Parlamento, houve nova rebelião contra o governo do premiê Lucas Papademos. Ao todo, 23 deputados do Partido Socialista (Pasok, esquerda) e de 21 do Nova Democracia (direita, oposição), que votaram contra, foram expulsos de seus partidos.
Moradores e funcionários municipais de Atenas começaram essa segunda-feira com a remoção de pedras, destroços e vidros estilhaçados das ruas da cidade. Os bombeiros jogavam água nos destroços de prédios incendiados por jovens encapuzados durante os protestos do dia anterior.
Houve também violência em outras cidades, incluindo Salônica, a segunda maior do país, e as ilhas de Corfu e Creta, disse uma autoridade, que não quis identificar-se.
Hoje, as autoridades públicas limpam o centro de Atenas, apagando as marcas da violência. Enquanto isso, o governo de Papademos deve anunciar a reestruturação de seu gabinete, após a renúncia do partido de extrema direita Laos de participar da coalizão.
Medidas
As medidas em votação incluíram o corte de 15 mil empregos públicos, uma diminuição de 22% no salário mínimo, flexibilização de leis trabalhistas (para facilitar a demissão de trabalhadores) e um pacote de impostos e reformas previdenciárias.
As propostas têm provocado forte descontentamento entre o povo grego, já assolado por uma recessão econômica e por altas taxas de desemprego
Antes da votação, o premiê grego, Lucas Papademos, havia advertido, em um comunicado televisionado, que a não aprovação das medidas de austeridade forçaria a Grécia a declarar a moratória de suas dívidas, o que "levaria o país por uma aventura desastrosa".
"O custo social deste programa é limitado em comparação com a catástrofe econômica e social que aconteceria se não o adotássemos", disse.
Ele afirmou que economias seriam perdidas, que o governo seria impossibilitado de pagar salários e que as importações de combustível, remédios e maquinaria seriam interrompidas.
Os países europeus querem que a Grécia economize mais 325 milhões de euros este ano e insiste que os líderes gregos deem "fortes garantias políticas" da implementação dos pacotes.
O país não consegue pagar sua dívida e há receio de que uma eventual moratória prejudique a estabilidade financeira da Europa e leve até mesmo a uma desintegração da zona do euro.
No entanto, muitos gregos acreditam que já economizaram tudo o que podem e não conseguem lidar com mais cortes, segundo o correspondente da BBC.
(Com informações de Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo em Paris)
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