‘Huffington Post’ se consolida entre sites de notícias
Site criado em 2005 por Arianna Huffington fechará este ano no azul pela primeira vez desde a fundação
SÃO PAULO - Foi um bom ano para Arianna Huffington. Pela primeira vez, seu site The Huffington Post fechará no azul. Galgou lugares no ranking dos principais sites de notícias do mundo. É o sétimo, segundo a Alexa. O único site que produz conteúdo exclusivamente para a internet no Top 10. Foi incluída pela Forbes em sua lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo. (Posição: 28ª) Em visita ao País a convite do governo federal, ela sentou-se para conversar com alguns representantes do jornalismo online brasileiro.
"Nós apostamos em conversas", ela conta sobre a fórmula por trás do HuffPost. "Quando convido alguém para ter um blog no site e trazer mais conteúdo para os leitores, me sinto como uma anfitriã. Quero que esta pessoa seja bem tratada". O estímulo de conversas é um dos pilares da estratégia para manter a audiência. Mas permitir que os comentários nos blogs fluam e ao mesmo tempo mantenham o nível de respeito necessário para que nenhum dos blogueiros convidados seja ofendido não é trivial. No Huffington Post, um software filtra os comentários por uma lista negra de palavras e o trabalho é complementado por uma equipe de 30 moderadores.
"Politicamente, gosto de descrever nossa linha editorial como além da esquerda e da direita", conta ela. Mas é visto como um site democrata, não? "Sim, mas temos blogueiros conservadores. Queremos estimular este diálogo para além da polarização política que ocorre hoje". São, no total, nove mil blogueiros. Escrevem de graça em troca de ter um veículo capaz de levar suas vozes a milhões. São, às vezes, gente anônima porém talentosa, jovens universitários com algo para dizer.
E há colaboradores bastante conhecidos como a cantora irlandesa Sinead O"Connor, o cineasta Michael Moore, a secretária de Estado Hillary Clinton e o próprio presidente Barack Obama - que só publicou dois posts, ambos em 2008, quando era candidato à presidência. O conteúdo do HuffPost é complementado por matérias escritas pelos jornalistas do site ou reportagens da agência de notícias AP. As fotos todas vêm de agências.
Nem todas as chamadas na home page são voltadas para dentro. "Botamos links para outros sites, também". Até a manchete pode levar, por exemplo, ao New York Times se o furo for estupendo. "A internet não é um jogo de soma zero", ela diz. "Somos generosos com links para fora porque eles sempre retornam". À mesa com ela, o seleto grupo de jornalistas da web brasileira, representando os principais portais, riem um riso nervoso. Arianna sabe que a ideia é provocadora e sorri. "O HuffPost é um starter site, as pessoas começam sua navegação diária por ele. Se indicamos o que há de melhor na internet, elas retornam".
No início, as editorias do HuffPost lembravam as da imprensa tradicional: Política, Negócios, Entretenimento - não muito diferente das divisões de um jornal ou revista. Mas aí foi mudando. A escritora Nora Ephron sugeriu abrir uma editoria "Divórcio" (metade dos casais americanos se divorciam alguma vez na vida). "Impacto" trata de uma das causas caras a Arianna - milionários que contribuem para causas, gente que ajuda de alguma forma sua comunidade. "College" serve à vida universitária, onde muito da criatividade americana está concentrada. É também uma maneira de se aproximar do público jovem.
O jornalismo é feito da mesma forma que jornalismo na grande imprensa: repórteres apuram, checam, confirmam, editores filtram, corrigem, mandam de volta até que estejam satisfeitos, a notícia é publicada. O conjunto de assuntos, no entanto, aponta uma fórmula diferente da imprensa tradicional. O HuffPost é uma mistura de revista política sofisticada com noticiário de celebridades. Impressa em papel, na banca de jornais, o convívio em quantidade de nichos tão distintos dificilmente encontraria uma massa de leitores. "Não temos vergonha de atender aos interesses de nossos leitores", Arianna explica. "É, de fato, uma mistura de jornalismo de qualidade com jornalismo popular. Na internet, funciona."
A atenção dedicada a certos temas também distingue o HuffPost de jornais e revistas. Até por conta da falta de espaço imposta pelo papel, o assunto que ganha a manchete num dia já não aparece mais alguns meses, semanas, até mesmo dias depois. No site de Arianna, temas considerados importantes são tratados persistentemente por anos a fio - e com destaque. "A imprensa tradicional", ela comenta sorrindo, "sofre do Transtorno do Déficit de Atenção enquanto nós sofremos de Transtorno Obsessivo Compulsivo".
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