Imposto sobre transações financeiras entra em vigor na França
Por emenda, transações com recibos de depósitos de empresas francesas negociados nos EUA e em outros mercados ficarão isentas do imposto pelos próximos 5 meses
PARIS - O imposto sobre transações financeiras de 0,2% entrou em vigor nesta quarta-feira, 1, na França, depois de ser aprovado pelo Parlamento do país. Os deputados acrescentaram uma emenda à lei aprovada, pela qual as transações com recibos de depósitos de empresas francesas negociados nos EUA (ADRs) e em outros mercados (European Depositary Receipts, ou EDRs) ficarão isentas do novo imposto pelos próximos cinco meses.
Uma fonte do Ministério das Finanças da França disse que o adiamento foi adotado após um pedido dos EUA. "Essa é uma preocupação para um número significativo de companhias francesas que buscam financiamento internacional", disse Arnaud de Bresson, diretor-gerente do grupo de lobby financeiro Europlace.
O governo do presidente François Hollande decidiu adotar o imposto sobre transações financeiras na França depois do fracasso de iniciativas para que ele fosse adotado em toda a União Europeia; alguns países, em especial o Reino Unido, vetaram a ideia.
EUA
O presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou hoje para Hollande, para discutir a crise da dívida na zona do euro e encorajar os líderes do continente a adotar ações decisivas, segundo divulgou a Casa Branca.
"O presidente Obama elogiou as recentes declarações do Banco Central Europeu (BCE) e dos líderes europeus sobre a necessidade de fazer o que for necessário para preservar a zona do euro, e encorajou os esforços deles para tomar ações decisivas", disse a Casa Branca em comunicado.
Obama fez comentários semelhantes durante um telefonema ontem para o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti. Além disso, o secretário norte-americano do Tesouro, Timothy Geithner, também tem cobrado os líderes europeus a adotarem ações decisivas.
Hoje, o Federal Reserve não anunciou nenhuma nova medida para estimular a economia dos EUA, aumentando as expectativas com a decisão de política monetária do BCE amanhã.
Itália
O Senado italiano votou e aprovou hoje o decreto-lei do governo de Monti para cortar os gastos e revisar as contas do governo. No total, 217 senadores votaram a favor, 40 contra e quatro se abstiveram. O decreto segue para a Câmara dos Deputados, onde deverá ser debatido a partir da quinta-feira e será votado até o dia 6 de agosto, segunda-feira. Os deputados deverão propor alterações, informou a agência Ansa, e a aprovação será bem mais difícil na Câmara, que tem 630 deputados.
Segundo Monti, os cortes da revisão de gastos "não são feitos à cega". O comissário do governo italiano para a revisão de gastos, Enrico Bondi, calcula o corte entre 25% e 40% de € 60 bilhões de euros. A lei prevê a extinção de várias províncias (embora o texto tenha substituído a palavra "extinguir" por "reordenar"), limita em € 300 mil ao ano os salários de dirigentes das empresas estatais, corta subsídios a estudantes universitários cujas famílias tenham renda superior a € 40 mil (por ano) e desregulamenta várias profissões, como as de farmacêutico e motorista de táxi. As informações são da Dow Jones, da Agência Ansa e do jornal Corriere della Sera.
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