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Inadimplência reflete desgaste de modelo de expansão via consumo

Para analistas, governo agora deve adotar os investimentos, sobretudo públicos, como novo caminho para o crescimento

26 de junho de 2012 | 18h 12
Gustavo Porto, da Agência Estado

SÃO PAULO - O crescimento da taxa de inadimplência, em maio, da carteira das pessoas físicas, para 8%, e para o novo recorde, de 6,1%, na de veículos, reflete o esgotamento do modelo, pregado pelo governo, de crescimento do País ancorado no consumo, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado. "Há um comprometimento, no presente, da renda futura e isso cria uma limitação na mola dinâmica do crescimento", disse Newton Camargo Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Para Camargo Rosa, as quedas seguidas na taxa Selic não ajudarão na redução da inadimplência. "Não adianta baixar juros, porque o consumidor não vai ter vontade de consumir", afirmou. Opinião semelhante tem Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados. "Há o esgotamento do crescimento via consumo e endividamento das famílias e os bancos privados já sinalizam isso desde o começo do ano, pois estão bastante seletivos no crédito", afirmou.

Para os dois economistas, com o limite imposto pela inadimplência, o governo deve mudar o rumo e adotar os investimentos, principalmente públicos, como novo modelo para o crescimento. "Agora, o caminho é buscar investimentos e produtividade", explicou Camargo Rosa, da SulAmérica Investimentos. "E o investimento tem de ser público, já que o setor privado não tem um cenário positivo para fazê-los", completou Bistafa da Rosenberg & Associados.

Preocupada com o ritmo fraco de crescimento da economia este ano, a presidente Dilma Rousseff anuncia nesta quarta-feira medidas para reforçar e acelerar as compras governamentais. De acordo com apuração da Agência Estado, o governo entende que ampliando os gastos em algumas áreas poderá dar um estímulo adicional aos investimentos e, com isso, melhorar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).   

Para Mariana Oliveira e Miyuki Kaminishikawahara, da equipe de analistas de Tendências Consultoria Integrada, o "resultado (de maio) é bastante negativo, haja vista que a taxa de inadimplência afasta-se da média histórica (7,0%) e aproxima-se do pico de 8,5% registrado em maio de 2009", informaram em relatório. "De todo modo, ao menos por ora, nosso cenário é de que a inadimplência volte a recuar, sendo que esperamos um nível de 6,9% no final do ano".

Mais otimista está o economista Marco Antonio Caruso, do Banco Pine. Ele atribui a alta da inadimplência à corrida para cheque especial e cartões de crédito do consumidor, mas prevê uma queda dos índices de inadimplência atrelada à baixa da Selic. "No curto prazo a taxa preocupa, mas deverá ceder no segundo semestre, com o custo mais barato do dinheiro", avaliou Caruso.





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