Inflação fraca no varejo causa desaceleração da prévia do IGP-M
Queda da inflação do álcool também influenciou resultado do IGP-M
RIO - A inflação mais fraca nos preços do varejo (de 0,75% para 0,43%) conduziu à leve desaceleração de preços medida pela primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (de 0,98% para 0,95%). Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros os preços junto ao consumidor estão sendo beneficiados por menor impacto de reajustes de preços administrados - realizados no início do ano e cujo auge já foi captado pelo indicador no varejo - e por uma desaceleração na inflação do álcool.
"A desaceleração nos preços varejistas foi o que causou mesmo a taxa menor da primeira prévia; atacado e construção civil aceleraram (da primeira prévia de fevereiro para igual prévia em março)", reiterou Quadros. Na avaliação do especialista, o varejo conta, atualmente, com a influência de vários fatores, originados de setores diferentes, que contribuíram para a taxa menor da inflação sentida pelo consumidor.
Ele comentou que, além de desacelerações e quedas de preços em tarifa de ônibus urbano (de 4,09% para 0,93%); e em seguro facultativo de veículo (de 0,88% para -4,24%), a inflação percebida pelo consumidor foi puxada para baixo pela desaceleração de preços em cursos formais (de 2,26% para 0,02%). Isso porque o reajuste nas mensalidades escolares, realizado costumeiramente no início do ano, já foi captado pelo indicador. Houve ainda o recuo na taxa de variação de preços do álcool combustível, que estava em trajetória de forte aceleração (de 9,36% para 3,05%). "Além disso, temos quedas de preços em roupas (-2,26%) devido à época de promoções nas lojas (devido à troca de estações)", acrescentou.
Porém, apesar da aceleração da inflação do atacado (de 1,16% para 1,22%), Quadros comentou que nem todos os produtos no setor atacadista estão em alta. Ocorreram taxas de inflação menores ou até mesmo deflação em alguns itens importantes, como açúcar cristal (de 23,81% para -1,13%); açúcar refinado (de 18,37% para 6,10%); arroz beneficiado (de 14,42% para -6,09%); e carne bovina (de 5,49% para -1,97%). Para o especialista, a inflação no atacado teria subido de forma mais intensa, não fossem as quedas e desacelerações de preços destes itens.
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