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15 de Abril de 2010

 

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Investimento é principal responsável por queda do PIB de 2009, aponta IBGE

Aportes tiveram primeira queda anual em seis anos

11 de março de 2010 | 11h 17
Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO - Os investimentos foram os principais responsáveis pela variação negativa (-0,2%) do PIB em 2009, segundo destacou a gerente da pesquisa de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis. Ela fez uma abertura dos dados do PIB do ano passado, em termos de contribuições pelo lado da demanda, mostrando que os investimentos e os baixos estoques derrubaram a economia.

A queda de 9,9% do investimento, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), em 2009, foi a primeira desde 2003 (-4,6%), segundo o IBGE. Segundo Rebeca, a diminuição do investimento em 2003 foi influenciada pelos efeitos na economia da grande desconfiança do mercado financeiro sobre o início do governo Lula, como o real desvalorizado e o risco Brasil alto.

"A queda dos investimentos foi o principal fator responsável pela queda do PIB, além da variação dos estoques, que caíram porque a produção da indústria diminuiu, apesar do aumento do consumo das famílias", explicou Rebeca.

Para o resultado de -0,2%, a demanda interna contribuiu com -0,3 ponto porcentual, apesar da contribuição positiva do consumo das famílias (2,4 ponto porcentual) e do consumo do governo (0,7 pp). Ainda do lado da demanda interna, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) teve uma contribuição negativa no dado final do PIB de -1,9 pp, enquanto a variação de estoques contribuiu, também negativamente, com -1,6 pp.

O setor externo, por sua vez, deu a primeira contribuição positiva para o PIB desde 2005, com 0,1 pp em 2009.

Segundo Rebeca, as contas abertas do PIB pelas contribuições não fecha exatamente em 0,2% porque houve arredondamentos e o objetivo é mostrar as principais influências, em termos da demanda, na composição da taxa.

Indústria

O instituto disse também que a retração da atividade na indústria no ano passado, de 5,5%, foi a primeira desde 2001 (-0,6%). Rebeca lembrou que a queda da indústria em 2001 estava relacionada ao racionamento de energia no País naquele ano, período que também ficou marcada pelo ataque terrorista nos Estados Unidos e pela queda do regime de paridade cambial na Argentina.

Em 2009, todos os grupos da indústria tiveram queda no acumulado do ano em relação a 2008, devido à crise internacional. A indústria de transformação, que não tinha queda desde 1999, caiu 7,0% em todo o ano passado, a maior entre os subsetores no PIB. A indústria extrativa caiu -0,2%, apesar do crescimento de 5,7% na extração de petróleo e gás, impactada pela queda de 22,3% na atividade extrativa de minério de ferro. Os serviços industriais de utilidade pública, como eletricidade, gás e água, caíram 2,4% em 2009 e a construção civil caiu 6,3%.

Na indústria de transformação, Rebeca citou entre as maiores quedas do valor adicionado os setores de produtos de madeira, metalurgia e siderurgia; máquinas e equipamentos; material elétrico e equipamentos de comunicação; material médico e hospitalar; peças para veículos, caminhões e ônibus. Os maiores crescimentos, por outro lado, foram os dos setores de eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, perfumaria, higiene e limpeza.


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