Juro futuro cede por atividade fraca e véspera de Copom decidir
Para decisão do Banco Central que sai na quarta-feira, mercado espera redução de 0,5 p.p. na Selic, para 8% anuais
SÃO PAULO - Na véspera de mais um anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), em que o mercado aguarda uma redução de 0,50 ponto porcentual na Selic, para 8,00% anuais, as taxas futuras de juros operavam em queda. As explicações para o movimento desta terça-feira passam pela revisão em baixa para a atividade doméstica, conforme a pesquisa Focus divulgada na véspera - quando as mesas em São Paulo estavam fechadas devido ao feriado estadual da Revolução Constitucionalista -, e pela constante preocupação com a crise externa. Analistas lembram, no entanto, que é comum uma movimentação maior com os DIs em pregões anteriores a uma decisão do Copom. E vale destacar que, nos últimos dias, as taxas mais curtas mostravam certa estabilidade.
Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (222.655 contratos) estava em 7,50%, de 7,55% no ajuste. O DI janeiro de 2014 (205.575 contratos) cedia para a mínima de 7,74%, de 7,82% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (45.645 contratos) recuava para 9,20%, também na mínima, ante 9,31% no ajuste anterior, enquanto o DI janeiro de 2021 (3.370 contratos) indicava 9,85%, de 9,94%.
A pesquisa Focus trouxe piora nas projeções para o ritmo da economia. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 foi reduzida de 2,05% para 2,01%. A mediana para a inflação em 2012, por sua vez, foi aproximada do centro da meta de 4,50%, ao cair de 4,93% para 4,85%. Para 2013, porém, a previsão para o IPCA seguiu em 5,50% e para o PIB, em 4,20%. No mesmo levantamento, os agentes financeiros mantiveram a visão de que a taxa básica será de 7,50% ao fim deste ano, incluindo o corte de 0,50 pp na quarta-feira. Mas as projeções para a Selic no fim do próximo ano passaram de 9% para 8,5%.
Entre os indicadores domésticos do dia, o emprego na indústria recuou 0,3% na passagem de abril para maio, na série livre de influências sazonais, completando o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação. O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria teve uma queda de 0,6% em maio em relação a abril, descontadas as influências sazonais. Já o fluxo total de veículos pesados pelas estradas com pedágio no País avançou 1% no mês passado sobre maio, mostrou o Índice ABCR, da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), calculado em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. O fluxo de veículos leves cresceu 0,6%.
No exterior, deu alívio às bolsas europeias a resolução da zona do euro de dar à Espanha um ano extra para atingir sua meta de déficit orçamentário e de fornecer 30 bilhões de euros até o fim de julho para ajudar os bancos do país. Os detalhes sobre os planos dos ministros da zona do euro para auxiliar a Espanha provocaram queda no yield (retorno ao investidor) dos bônus espanhóis de 10 anos para abaixo do patamar crítico de 7%. No entanto, a queda da importação de diversos produtos pela China pesou sobre as commodities.
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