Kirin e Suntory desistem de fusão que criaria cervejaria gigante
Após meses de negociação, empresas não conseguiram resolver impasse sobre qual delas administraria fundo de US$ 42,5 bi
TÓQUIO - As fabricantes de bebidas japonesas Kirin Holdings e Suntory Holdings desistiram nesta segunda-feira de seus planos ambiciosos para se fundirem e criar uma das maiores cervejarias do mundo. Depois de meses de negociações, os dois lados não conseguiram resolver diferenças profundas sobre qual deles iria administrar o grupo fundido, que teria 3,8 trilhões de ienes (US$ 42,5 bilhões) em receita anual e rivalizaria com a Anheuser-Busch Inbev.
O colapso das negociações faz com que os investidores no já altamente competitivo mercado de cerveja do Japão tentem se preparar para uma disputa por mercado doméstico que deverá ser cada vez mais intensa e cara. As ações da Kirin fecharam hoje em baixa de 7,3% na bolsa de Tóquio, apagando boa parte dos ganhos acumulados desde o final de julho, quando as negociações começaram. A Suntory não tem ações em bolsa.
O fracasso das negociações também implica insatisfação com a influência da família fundadora da Suntory e sinaliza os problemas que as companhias japonesas podem enfrentar no processo de consolidação. Embora a Kirin supere a Suntory em tamanho, a família controladora da Suntory, que tem uma participação de 90% nesta companhia, poderia ficar com mais de um terço do grupo combinado.
Quando as negociações foram anunciadas em julho, analistas disseram que uma fusão seria benéfica para as duas companhias e também sinalizaria que as empresas japonesas estariam mais preparadas para adotar medidas mais agressivas para cortar o excesso de capacidade. O fracasso das conversas, portanto, representa um revés e indica que o caminho para a consolidação é árduo.
"É muito, muito difícil conquistar a racionalização. Portanto, há empresas que estão agonizando há muito tempo no Japão, num processo que costuma se estender por décadas", disse o estrategista Peter Eadon-Clarke, da Macquarie Securities em Tóquio. As informações são da Dow Jones.
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