Mantega diz que Brasil ainda tem muito para crescer
‘O Brasil é um dos poucos países em que o mercado de consumo consegue crescer’, afirmou o ministro em entrevista a órgãos estrangeiros de imprensa
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma defesa vigorosa do modelo de crescimento adotado pelo governo e disse que o mercado doméstico e o crédito poderão crescer ainda por vários anos. "Acho que é um erro dizer que o modelo está exaurido. O Brasil é um dos poucos países em que o mercado de consumo consegue crescer", afirmou o ministro em entrevista a órgãos estrangeiros de imprensa.
Mantega também disse que ainda há milhões de brasileiros que podem subir para a classe média e bilhões de dólares em investimentos a fazer em áreas como infraestrutura e logística. Segundo ele, os consumidores ficaram mais cautelosos por causa da crise global, "mas eles reagem a estímulos tais como reduções de preços e de impostos". O ministro observou que boa parte da dívida do consumidor é de prazo muito curto e é paga rapidamente, e que os brasileiros poderão assumir mais dívidas à medida que os juros caiam. "O crédito está crescendo no Brasil, o que mostra que as teorias sobre uma exaustão do crédito não se sustentam", acrescentou.
Mantega disse ainda que isenções de impostos e outros incentivos têm sido usados para contrabalançar os efeitos da crise global e que novas medidas virão somente se a situação piorar na Europa ou em outros lugares. "Não podemos ignorar a gravidade da crise internacional. A crise se intensificou. Ela não melhorou, e é claro que isso acaba tendo impacto em todo o mundo, e alguns efeitos aqui no Brasil. Acredito que adotamos medidas suficientes para dar estímulo à economia brasileira."
O ministro afirmou que não prevê novas mudanças no regime cambial e disse que a recente depreciação do real é positiva por beneficiar empresas brasileiras tanto no exterior como dentro do País. "O nível atual é muito mais confortável do que há um ano", disse Mantega. Ele também observou que o real continua a flutuar e que "não há um ponto ideal". "Não temos nenhuma nova medida no que se refere ao câmbio. Estamos apenas moderando as flutuações", acrescentou.
A expectativa do ministro é de que o crescimento se acelere no segundo semestre, em reação às medidas já adotadas pelo governo e às reduções da taxa básica de juros pelo Banco Central. "Achamos que é viável termos um crescimento maior neste ano do que no ano passado. Se você olha para os meses de maio e junho, já detecta uma recuperação em vários segmentos." As informações são da Dow Jones.
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