Mantega fala em recursos para o FMI; Lagarde se diz ‘encorajada’
Ministro da Fazenda e diretora-gerente do Fundo se reuniram nesta quinta-feira para discutir eventual aporte de recursos do País ao FMI
BRASÍLIA - Após encontro com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, nesta quinta-feira, 1º, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez questão de frisar que qualquer aporte adicional que o Brasil faça ao fundo demandará uma ação semelhante por parte dos países europeus.
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"Concordamos em colocar mais recursos desde que a Europa tome iniciativa e também compareça. Não vamos colocar nossos recursos se eles não colocarem os deles", disse Mantega. Segundo ele, um eventual aporte será discutido em reunião antes do encontro do G20 previsto para fevereiro.
O ministro disse, porém, que não há quantia definida. "Discutimos isso nos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), mas isso está condicionado a reformas do fundo que foram acordadas e à colaboração de outros países, como EUA e europeus", completou. Mantega avaliou que o FMI hoje está mais forte do que estava em 2008, mas ainda precisar se fortalecer para enfrentar o atual cenário.
Lagarde ironizou o fato de ter vindo ao País solicitar um aporte de recursos ao invés de oferecer um empréstimo. "É uma grande satisfação dessa vez o FMI ter vindo não para trazer dinheiro, mas para pedir dinheiro. Prefiro ser credor que devedor", afirmou Mantega. O ministro, no entanto, ressaltou a boa relação entre o Brasil e o fundo. "Temos larga cooperação que vamos reforçar nesse momento, o que é necessário", concluiu.
A diretora-gerente do Fundo deixou o encontro com o ministro se dizendo "encorajada" sobre o eventual apoio do Brasil. "Fiquei encorajada ao ouvir o apoio do Brasil para reforçar o fundo", disse em entrevista ao lado de Mantega.
Apesar de o ministro não ter anunciado nenhum centavo de reforço ao caixa do Fundo Monetário, Lagarde disse ter ficado satisfeita com o "eventual apoio" e ainda fez uma série de elogios ao governo brasileiro e às decisões recentes da equipe econômica.
"O Brasil é um país que tem um histórico extremamente sólido e o País está em uma situação extremamente favorável. A política monetária e fiscal no Brasil é sólida", disse Lagarde ao lado de Mantega. A diretora-gerente afirmou, ainda, que conversou com o governo brasileiro sobre programas sociais e que o Brasil já está estabelecendo os padrões para os programas de desenvolvimento econômico e social.
Ao encerrar a coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda ironizou o fato de a comandante do fundo ter vindo ao País solicitar um aporte de recursos em vez de oferecer um empréstimo. "Prefiro ser credor que devedor", afirmou Mantega. O ministro, no entanto, ressaltou a boa relação entre o Brasil e o fundo. "Temos larga cooperação que vamos reforçar nesse momento, o que é necessário", concluiu.
Mantega também fez questão de frisar que qualquer aporte adicional que o Brasil faça ao fundo demandará uma ação semelhante por parte dos países europeus. "Concordamos em colocar mais recursos desde que a Europa tome iniciativa e também compareça. Não vamos colocar nossos recursos se eles não colocarem os deles", disse Mantega. Segundo ele, um eventual aporte será discutido em reunião antes do encontro do G20, previsto para fevereiro.
Imunidade
Lagarde disse que o Brasil tem condições para enfrentar a crise financeira internacional. Ela afirmou que o País está "bem imune e bem protegido" dos efeitos de contaminação da economia gerados pela crise.
Uma das razões para a situação confortável, segundo ela, é que o Brasil tem um sistema financeiro "bastante capitalizado e sólido". Lagarde também elogiou a política macroeconômica brasileira e o tripé composto pelo câmbio flutuante, sistema de metas de inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). "Devido a esse coquetel, o Brasil está sólido e pode resistir bem à crise", disse.
Segundo ela, os encontros com as autoridades brasileiras têm como objetivo discutir e analisar a situação global e, mais importante, avaliar os efeitos da crise financeira internacional. Sobre o tema, disse que "há expectativa de que a parceiros europeus vão montar um conjunto de ações fortes e resilientes para tratar da crise".
Preocupação
Mantega afirmou que o Brasil se preocupa com a chegada da crise a países emergentes. Segundo ele, alguns países emergentes já enfrentam saída de capitais, que afetam o crédito para o comércio exterior. "No Brasil, já notamos em outras linhas de financiamentos, mas que podemos cobrir", completou.
O ministro reafirmou esperar que a solução empreendida pelos governos europeus na crise seja rápida. "Esperamos que os países entrem em entendimento mais rápido em relação à situação fiscal, para que BC europeu possa cumprir função de emprestador de ultima instancia e possa garantir compra de títulos europeus, o que acalmaria os mercados", completou.
"Do meu ponto vista ,a crise europeia esta se agravando. Estamos vendo mercados com cada vez menos recursos financeiros. Estamos com falta de liquidez na Europa, na Grã-Bretanha", afirmou Mantega, lembrando que seis bancos centrais do continente fizeram um acordo para baixar taxas de juros de empréstimos recíprocos.
Sobre a a ação conjunta dos principais bos centrais do mundo, Lagarde afirmou que foi um movimento positivo, que gera efeitos imediatos no mercado financeiro. Ela disse, no entanto, que essa não será a única ação necessária para resolver a crise financeira na Europa. "É um movimento positivo, da nossa perspectiva, mas não o único necessário".
A diretora-gerente afirmou ainda que os problemas de falta de liquidez não se restringem apenas a três países europeus e que é preciso olhar com cuidado para outras economias de outros continentes.
(Texto atualizado às 16h44)
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