Mantega garante reajuste de preços de combustíveis nas bombas
Sinalização do ministro mostra uma mudança de disposição por parte do governo que há 9 anos não autoriza reajustes com impacto para a inflação
RIO - Depois de ouvir na sexta-feira um emocionado relato da presidente da Petrobrás, Graça Foster, antes da divulgação do prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu ao comando da companhia que haverá reajuste dos combustíveis nas bombas, de acordo com fonte da Agência Estado.
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A assessoria de imprensa do ministro nega que ele teria garantido o reajuste. O ministro lembrou que este ano já houve dois aumentos nos preços dos derivados de petróleo. "Não há perspectiva de reajuste no horizonte.", declarou o ministro.
Segundo a fonte, Graça Foster se viu obrigada a conter o choro ao reportar ao conselho de administração o primeiro prejuízo trimestral da companhia em 13 anos. O resultado de abril a junho foi o primeiro totalmente sob a gestão de Graça, que assumiu o cargo em fevereiro.
A sinalização de Mantega mostra uma mudança de disposição do governo – controlador e sócio majoritário da companhia – que há nove anos não autoriza reajustes com impacto para a inflação. Os últimos aumentos foram compensados com a redução da Cide, agora zerada.
Nessa quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, lembrou que há nove anos não se faz nenhum reajuste na bomba e disse que o governo não vê nenhum outro instrumento para socorrer a Petrobrás senão um aumento no preço dos combustíveis. O ministro disse que a suspensão da cobrança da Cide sobre o combustível para o aumento não chegar à bomba, no ano passado, não compensou o prejuízo.
Sem detalhes
Mantega encerrou a reunião na sexta-feira com a promessa de reajuste, embora sem dar detalhes. Não foram discutidos porcentuais ou data. Aos interlocutores, deixou subentendido que um possível reajuste não seria imediato. O governo terá de estudar o melhor momento para lançar mão da medida para diesel, gasolina ou ambos.
O ministro é presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. Na segunda-feira, três dias após a divulgação do prejuízo, Graça fez questão de participar das entrevistas coletivas para comentar o resultado, normalmente coordenadas pelo diretor financeiro.
No evento, o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, informou que a importação de diesel e gasolina tem representado custo extra de cerca de US$ 3 bilhões por trimestre. A companhia supre a demanda crescente com importação de combustíveis no exterior a preços mais altos que os internos.
Graça briga pela paridade de preços no Brasil com os do exterior. Os preços estão defasados desde janeiro de 2011. A Petrobrás não informa seus cálculos, mas o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estima a diferença em 24,5% para diesel e 23,1% para gasolina, mesmo após os últimos reajustes.
Depois do prejuízo da Petrobrás, o governo também começou a ser cobrado por representantes de acionistas.
Uma das propostas apresentadas a Mantega para tentar atenuar o impacto na inflação seria aproveitar o pacote do governo para o setor de energia e combiná-lo com um eventual reajuste de combustíveis.
O governo, porém, também estaria apostando numa redução do preço do barril de petróleo no mercado internacional nos próximos meses.
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