Mercosul tenta avanço em acordo com UE
Reunião discute negociações comerciais, mas tensão entre Venezuela e Colômbia é destaque
BUENOS AIRES - A crise diplomática entre a Colômbia e a Venezuela promete marcar as discussões da reunião de cúpula de ministros e presidentes do Mercosul, que começa nesta segunda-feira, 2, na cidade argentina de San Juan, faltando cinco dias para a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na sexta-feira.
"Não é um assunto de agenda", minimiza o chanceler argentino Héctor Timerman, em referência ao conflito caribenho, intensificado pelas ameaças de guerra por parte do presidente venezuelano Hugo Chávez e sua ordem de mobilizar tropas à fronteira. Mas, ele admite que o caso estará na mesa de discussões: "Os presidentes mantêm diálogos sobre todos os assuntos."
Formalmente, a agenda oficial da cúpula está centrada na discussão sobre o fim da dupla tributação alfandegária – que arrasta-se sem solução há seis anos – e o lançamento do código alfandegário, que estaria "quase pronto", segundo a diplomacia em Buenos Aires. Os integrantes do Mercosul esperam anunciar um acordo de livre comércio com o Egito, além de avaliar o andamento da retomada das negociações para um acordo com a União Europeia. Os governos do Mercosul anunciarão os investimentos realizados pelo Fundo de Convergência Estrutural.
Estarão presentes em San Juan, além de Hugo Chávez, os presidentes dos países-sócios do Mercosul: o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o uruguaio José Mujica, o paraguaio Fernando Lugo, além da anfitriã do evento, a presidente argentina Cristina Kirchner.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, e Sebastián Piñera, do Chile, irão na categoria de presidentes de países associados.
A diplomacia argentina negou os rumores sobre a eventual presença do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos.
A presença de Hugo Chávez deve-se ao fato de a Venezuela ser considerada "sócio em processo de adesão". A sociedade plena da Venezuela está pendente da aprovação do Parlamento paraguaio, onde os partidos da oposição resistem à ideia. A resistência intensificou-se nas últimas duas semanas, com as tensões entre Caracas e Bogotá.
Na segunda à tarde, depois do encerramento da cúpula do Mercosul, haverá uma reunião bilateral entre a presidente Cristina Kirchner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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