Montadoras freiam produção industrial
Paralisações na fabricação de veículos em janeiro provocaram redução em 9 entre 14 locais pesquisados; produção nacional caiu 2,1%
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RIO - As paralisações nas montadoras de veículos em janeiro foram responsáveis pela queda na produção industrial de regiões importantes na Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, houve também retração quase generalizada em parques industriais diversificados, como os que compõem a Região Sudeste, destacou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Na passagem de dezembro para janeiro, 9 entre 14 locais pesquisados registraram redução na produção. As três quedas que mais puxaram o resultado nacional - de 2,1% - foram Paraná (11,5%), São Paulo (1,7%) e Rio de Janeiro (5,9%), todas puxadas pela redução na produção de automóveis e caminhões. Em Minas Gerais, houve recuo de 1,3%, mas causado pelo freio na produção de minério de ferro.
O Iedi ressalta que os Estados que integram a Região Sudeste têm apresentado uma trajetória consistente de queda. Em São Paulo, na comparação com janeiro de 2011, o recuo na fabricação de veículos automotores foi acompanhado pela redução na produção de outros 11 segmentos, entre os 20 pesquisados. No Rio, entre as 13 atividades apuradas, 9 tiveram queda. Em Minas, a retração ocorreu em 7 das 13 atividades pesquisadas.
"Claro que as férias coletivas nas montadoras foram um fator pontual que puxou a queda na produção de vários locais. Mas, mesmo tirando esse fator, eu arrisco dizer que a produção permaneceria negativa", avaliou Rogério César de Souza, economista-chefe do Iedi.
Na ótica de longo prazo, os vilões foram tecidos, roupas e sapatos. No acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro, metade dos locais pesquisados apresentou queda na produção. De acordo com o IBGE, o excesso de importações de calçados, itens de vestuário e tecidos em 2011 explica os três maiores recuos: Ceará (11,4%), Santa Catarina (6,2%) e Nordeste (3,8%).
No Ceará, o setor têxtil responde por cerca de 20% da produção local. Se somado aos setores de vestuário e de calçados, a fatia sobe para 45% da indústria cearense. Na Região Nordeste, as três atividades juntas respondem por 14% da produção local. Em Santa Catarina, o setor têxtil somado ao de vestuário chega a 20% da produção catarinense.
"Isso significa que um quinto da estrutura industrial de Santa Catarina teve comportamento predominantemente negativo em 12 meses", calculou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.
No acumulado de 12 meses, o setor têxtil teve queda de 14,5%. Na atividade de calçados e artigos de couro, as perdas foram de 9,9%, enquanto na de vestuário e acessórios o recuo foi de 6,1%.
BMW pode desistir de fábrica
A demora do governo em anunciar o novo regime automotivo - esperado desde o fim de 2011 - atrasa planos de novas montadoras no País. A última data prevista foi esta semana. Dependendo do conteúdo, o novo regime pode afugentar investimentos, ao contrário do que pretende o governo.
Hoje o diretor de produção da BMW, Frank-Peter Arndt, disse na Alemanha que o grupo pode desistir de construir uma fábrica local, em Santa Catarina ou São Paulo. "Não iremos para o Brasil para termos prejuízo."
A fábrica deveria ter sido anunciada em novembro. Foi postergada por causa da medida que aumentou o IPI em 30 pontos porcentuais para carros importados (que não tenham 65% de nacionalização). Na época, o governo avisou que empresas com planos de produção local teriam regime especial.
"Estamos aguardando a divulgação do novo regime para avaliar todo o projeto, refazer as contas e ver se é viável ou não", disse o presidente da BMW do Brasil, Henning Dornbusch. Segundo ele, a fábrica "é muito interessante" para o grupo, mas a matriz está preocupada com as novas regras para o setor no País.
A alta do IPI deve ser mantida além de 2012. Novas montadoras, segundo fontes, terão direito a um crédito presumido. Ainda não se sabe se será devolvido quando a fábrica iniciar operação ou se haverá agenda progressiva de acordo com o cumprimento de etapas da produção.
A BMW vê com dificuldade a primeira opção, pois teme que nos três anos em que a fábrica estiver em construção terá de trabalhar com preços mais altos, o que pode dificultar a formação de caixa e ampliação da rede. No ano passado, a marca abriu 11 concessionárias, processo interrompido neste ano.
Sobre o conteúdo regional, é possível que o governo estabeleça 45% para o primeiro ano, 55% para o segundo e 65% para o terceiro. Mesmo o índice menor é visto com relutância por algumas empresas, como o grupo Brasil Montadora de Veículos, que planeja fábrica no Espírito Santo para montar os modelos chineses Haima e Changan, e o coreano Ssangyong. O grupo avisou que o projeto só será confirmado se houver flexibilização do regime.
As chinesas JAC e Chery informaram ontem que mantêm inalterados seus cronogramas de construção de fábricas no Brasil. Todos os projetos de novas montadoras já haviam sido anunciados, embora o governo tem dito que a medida do IPI atraiu novos fabricantes.
(Com Reuters)
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