Não haverá redução dos investimentos no País, garante Tesouro
Secretário admitiu, porém, que o ritmo das obras do governo federal, como as do Programa de Aceleração do Crescimento, nem sempre apresentam o ritmo desejado
BRASÍLIA - O governo trabalha para elevar o nível dos investimentos públicos e, por isso, não haverá contingenciamento, segundo informou na tarde desta terça-feira o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento. "Esta é uma reação necessária e que será feita", disse. Segundo ele, se alguém disser alguma coisa diferente disso dentro do governo é porque não entendeu.
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Augustin admitiu, porém, que o ritmo das obras capitaneadas pelo governo federal, como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nem sempre apresentam o ritmo desejado e atribuiu esses obstáculos à demora em licenças ambientais e em outros quesitos técnicos. "Obviamente que há demora. É verdade, não está sempre na velocidade que gostaríamos, mas está em velocidade maior do que no passado", considerou.
O secretário afirmou que a tendência é a de que a participação do BNDES nos financiamentos tenda a diminuir com uma participação maior do setor privado nesse setor. "Nosso desejo é que o BNDES possa sair um pouco dessa estrutura. Queremos que todos os bancos públicos e privados aumentem sua atuação de longo prazo", comentou com jornalistas, após participar de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento.
Para Augustin, o problema hoje é o tamanho do BNDES em relação ao setor privado. Questionado sobre se a atuação do Banco do Brasil nessa área, com empréstimos ao governo do Rio de Janeiro, já seria uma mudança de comportamento das instituições, ele salientou que se trata de um banco público e que o ideal é que o setor privado passe a atuar mais nessa área.
Europa
Augustin disse que, infelizmente, a crise europeia não mostra sinais de solução no curto prazo. "Olhamos com preocupação o desenrolar da situação na Europa, mas olhamos com mais otimismo o impacto da crise sobre Brasil", disse.
Para ele, o dinamismo interno continua e o País tem elementos necessários para reagir, como crescimento do mercado de trabalho, que continua a bater taxas históricas.
O secretário disse que o governo segue atento a questões setoriais e que apoiará e desonerará áreas que considerarem haver necessidade. "Vamos fazer nossa parte", prometeu. "E nossa parte é basicamente aumentar investimento público. Essa é a tarefa."
Superávit
Augustin disse esta tarde que governo trabalha com meta cheia de superávit primário, e que não há intenção dentro do governo de realizar qualquer alteração. "A meta a ser cumprida é a cheia. Se houver alguma dificuldade, abatemos os investimento do PAC. Há essa possibilidade e acreditamos que esse mecanismo facilita, diminui burocracia", disse, durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento.
O secretário enfatizou que o segundo semestre pode registrar melhora no volume de arrecadação. Ele disse também que o investimento público total do governo federal cresceu significativamente, 29%, "nos primeiros meses deste ano" na comparação com 2011. "O crescimento é expressivo e esperamos crescimento maior no próximo período, com maturação das obras", afirmou.
Augustin disse ainda que o governo aguarda que a economia cresça mais nos próximos meses. "O crescimento não está ainda na velocidade máxima que a gente gostaria", comentou.
Ao final da sessão, o secretário defendeu a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Em um país em que a Selic é alta, é difícil que setor privado faça empréstimo de longo prazo. Se não trabalhássemos com BNDES, teríamos um circulo vicioso", avaliou.
O banco de desenvolvimento é um dos motivos que levam o País a crescer sem pressões inflacionárias, na opinião de Augustin. "Esta é a nossa avaliação, respeitamos outras. Este é um debate econômico." (Célia Froufe)
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