Nível de emprego cai 0,18% em janeiro
Resultado, calculado pela Fiesp com ajuste sazonal, mostra também que a indústria paulista contratou 500 empregados no mês passado
SÃO PAULO - O nível de emprego na indústria paulista apresentou queda de 0,18% em janeiro deste ano ante dezembro de 2011, na série com ajuste sazonal, de acordo com dados divulgados nesta tareça-feira, 14, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). No cálculo sem ajuste sazonal, o nível de emprego avançou 0,03% em janeiro ante o mês anterior.
Na comparação com janeiro de 2011, houve queda de 0,61% no nível de emprego da indústria paulista.
Contratação
A indústria paulista contratou 500 empregados em janeiro deste ano, segundo os dados da Fiesp. Entre 22 setores analisados na Pesquisa de Nível de Emprego da federação, nove demitiram, 11 contrataram e dois permaneceram estáveis.
Açúcar e Álcool
As vagas criadas no setor de açúcar e álcool explicam o saldo positivo de 500 empregos em janeiro, de acordo com a Pesquisa de Nível de Emprego, da Fiesp. Enquanto a indústria de açúcar e álcool fez 2.914 contratações, os demais setores demitiram 2.414 funcionários em janeiro. "A indústria de açúcar e álcool está em um período de plantio, tanto de novas áreas quanto de reposição de áreas esgotadas, o que exige contratação de funcionários", detalhou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Paulo Francini.
Outros dois setores que se destacaram em contratações no primeiro mês do ano foram o de preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, que empregou 1.058 novos funcionários, e o de produtos alimentícios, que criou 2.622 vagas. "Apesar do respiro na indústria de couros em janeiro, o setor foi um dos que mais perdeu em 2011. Essa recuperação se deve, na verdade, a fatores sazonais", explica Francini.
Na outra ponta, o setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios fez 1.714 dispensas e o setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos demitiu 1.137. Entre os 22 setores nos quais a Fiesp divide a indústria paulista, 11 contrataram, 9 demitiram e 2 permaneceram estáveis.
Pessimismo
A queda de 0,18% no nível de emprego da indústria paulista em janeiro, na série com ajuste sazonal, mostra que o ano começou mal e a expectativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é de que esse cenário se mantenha ao longo do ano. A expectativa é que o total de empregos criados pela indústria paulista em 2012 fique perto de 0,5%, segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Paulo Francini. "O panorama que se abre para o emprego, com base no resultado do primeiro mês do ano, é de pessimismo", disse.
SEgundo Francini, a expectativa é de que a indústria de transformação no Estado cresça 1,5% em 2012. "Resultado que hoje se tornou uma tarefa difícil em relação a anos anteriores", afirmou. Esse número, explicou, considera já a superação do carry over (taxa de carregamento) da indústria paulista de 2011, quando houve um recuo de 1% da produção. "Nossa projeção, na verdade, é otimista", disse. "Não será um ano confortável."
Revisão do PIB
Francini também comentou a revisão do governo federal, anunciada hoje, para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País, que passou de 5% para 4,5%. De acordo com ele, novas revisões serão feitas ao longo do ano porque os cálculos do Ministério da Fazenda utilizam dados estatísticos com "viés otimista". "A previsão do governo não é real, porque o mundo não se comporta dessa maneira", afirmou o diretor da Fiesp.
A Fiesp, segundo Francini, prevê alta de 2,6% do PIB em 2012. "O que difere nossa previsão da do governo e de analistas do mercado é o resultado da indústria. E essa é uma área que conhecemos mais do que eles", afirmou. "Mas entendo que o governo deve ter por obrigação esse viés positivo para incentivar os agentes econômicos do País", explicou.
De acordo com o diretor da Fiesp, medidas de estímulo ao consumo, como redução de Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca, são positivas, mas não resolvem os problemas da indústria nacional e a concorrência desleal que o setor sofre com produtos importados. "O crescimento da demanda e da indústria, que antes caminhavam juntos, se separaram por causa dos importados. A indústria não apresenta o mesmo crescimento e os produtos importados estão se beneficiando do aumento do mercado interno."
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