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Norte Energia não fará mais reunião em aldeias

Decisão foi tomada após a detenção de três funcionários na aldeia Murutu que durou cinco dias e comunicada após reunião que aconteceu no campus da UFPA

31 de julho de 2012 | 19h 06
Fátima Lessa, especial para O Estado de S. Paulo

CUIABÁ - Por medida de segurança, a Norte Energia, empresa responsável pela construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte não irá e nem permitirá a ida de funcionários à aldeias indígenas na área da usina hidrelétrica de Belo Monte para discutir assuntos que dizem respeito a questões destes povos. A decisão foi tomada após a detenção dos três funcionários na aldeia Murutu que durou cinco dias e comunicada após reunião que aconteceu no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira,na segunda-feira,30.

O diretor da empresa, João Pimentel, repudiou o que ele denomina sequestro dos três funcionários da Norte Energia. "Estamos reafirmando aquilo que foi tratado em 10 de julho. Segundo a assessoria da empresa, naqueles encontros foram estabelecidos compromissos sobre vários projetos, como a abertura de estradas, abastecimento de água, postos de vigilância, aquisição de veículos e equipamentos, enfim, tudo o que está no Projeto Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA indígena) e que foi aprovado pela Funai apenas no início de julho. Não havia qualquer razão para esta violência", afirmou.

A reunião entre lideranças indígenas das etnias Arara da Volta Grande e Paquiçamba com a Norte Energia S.A, durou mais de cinco horas e serviu para reafirmar aos povos das aldeias, localizadas na chamada Volta Grande do Xingu, no Pará, os termos dos acordos firmados pela empresa e cujas ações já haviam sido contempladas nas reuniões de 9 e 10 de julho, quando o diretor-presidente da Norte Energia, Carlos Nascimento, esteve com dezenas de caciques e integrantes de várias etnias que povoam a área de influência da Usina Hidrelétrica Belo Monte, entre eles os que estiveram na reunião desta última sexta-feira. Ficou acertado que sistemas de abastecimento de água, por meio dos poços artesianos, serão instalados em cinco aldeias.

A Norte Energia garantiu que até 31 de agosto serão estruturadas poços nas aldeias Muratu, Terrã Wangã e Paquiçamba. A mesma atenção será dada às aldeias Furo-Seco e Aldeia Nova. A construção de poços nesses locais cumprirá o prazo até 15 de setembro. Outro ponto importante foi a apresentação do cronograma de obras de infraestrutura relativas ao Plano Básico Ambiental (PAB) de componente indígena. A empresa garante que até o dia 27 de setembro apresentará o cronograma, que entre as ações de engenharia, prevê a construção de escolas, moradias e unidades de saúde.





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