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Nowotny, do BCE, alimenta esperanças de corte nos juros

08 de junho de 2012 | 9h 29
REUTERS

VIENA, 8 JUN - A autoridade do Banco Central Europeu (BCE) Ewald Nowotny disse nesta sexta-feira que o banco tem a capacidade de cortar as taxas de juros se a economia da zona do euro continuar a se deteriorar e que poderia até mesmo cortar a taxa que controla o mercado de dinheiro para zero.

O BCE deixou a taxa de juros da zona do euro em 1 por cento nesta semana, mas economistas esperam, cada vez mais, que o banco central corte as taxas nos próximos meses se a economia do bloco monetário continuar vacilando.

"Nós temos medidas de política econômica, assim como ferramentas de liquidez, à nossa disposição", disse Nowotny, que também chefia o banco central da Áustria, a repórteres.

Nowotny tornou-se um dos principais indicadores da política do BCE nos últimos anos. Em setembro do ano passado, ele foi o primeiro a levantar a ideia de que o banco poderia fornecer financiamentos de três anos, três meses antes da primeira operação do tipo.

Questionado diretamente sobre a chance de um corte na taxa no mês que vem, ele acrescentou: "Nós nunca fazemos pré-comprometimento sobre taxas, nós vemos crescentes riscos ao crescimento". Caso os riscos se materializem, "talvez nós tenhamos que reagir".

Ele também foi a primeira autoridade do BCE a sugerir que o BCE pode estar agora disposto a cortar as taxas bancárias para zero se eles depositarem dinheiro no BCE, o que antes o banco central resistia.

"Eu posso imaginar uma taxa de depósito zerada", ele disse.

Com o BCE continuando a inundar o sistema bancário com dinheiro, a taxa de depósito como é conhecida ultrapassou a principal taxa de juros do banco em termos de importância, ao passo que ela funciona como um piso para as taxas de empréstimos entre bancos.

Essa taxa está atualmente em 0,25 por cento e está mantendo as taxas de depósito de um dia em apenas pouco mais de 0,3 por cento. Cortá-la para zero permitiria uma queda adicional, tornando financiamentos mais baratos para os bancos que, em troca, devem repassá-los para consumidores e empresas.

Por outro lado, Nowotny minimizou as chances de o BCE reiniciar o controverso programa de compra de dívida de países problemáticos da zona do euro ou oferecer outra rodada de empréstimos ultra-baratos de três anos aos bancos, conhecidos como LTRO.

"Atualmente, eu não vejo perspectiva para (reiniciar) compras de dívida ou os LTROs", ele disse.

(Reportagem de Martin Santa)



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