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País impõe condições ao México para manter pacto

Negociadores brasileiros estão impacientes com relutância mexicana em abrir mercado

02 de fevereiro de 2012 | 22h 57
Sonia Racy, Marina Gazzoni e Iuri Dantas, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO/BRASÍLIA - O fraco desempenho das exportações levou o governo a elevar o tom nas negociações com o México para ampliação de um acordo comercial. Nos bastidores, auxiliares da presidente Dilma Rousseff chegam a ameaçar o país com o rompimento do tratado automotivo, em vigor desde 2002, como revelou a colunista Sonia Racy, em seu blog, no portal estadão.com, na terça-feira.

O principal motivo para a impaciência dos negociadores brasileiros é a relutância do governo mexicano em permitir maior acesso a seu mercado. Desde 2009, o Brasil negocia um amplo acordo com o México, que abrange comércio, investimentos, serviços e compras governamentais. "A lógica é que as duas maiores economias da região tem de se integrar", disse o consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

O chanceler Antonio Patriota abordou o tema com a colega mexicana Patricia Espinosa por duas vezes recentemente: durante a visita dela ao Brasil, em dezembro, e na semana passada quando se encontraram no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Patriota defende o diálogo, mas sua posição esbarra na visão do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que prefere ações mais duras, como a suspensão do acordo automotivo, para pressionar os mexicanos.

A decisão do governo Dilma em "anular" o acordo causou um enorme reboliço na diplomacia dos dois países. O próprio presidente mexicano, Felipe Calderon, telefonou para Dilma, que estava em Cuba para pedir que o Brasil não rompesse o acordo.

Diplomacia. O Itamaraty entrou na negociação e tenta colocar panos quentes na polêmica. Ele defende a criação de duas comissões, uma mexicana e outra brasileira, para estudar o assunto. A tentativa de obter um consenso esbarra na pressa do governo brasileiro em decidir a questão. O Brasil precisa "avisar" o México que vai "anular" o acordo com 14 meses de antecedência. O argumento de Calderon para tentar convencer Dilma a manter o acordo foi simples: enquanto o Brasil tinha um superávit comercial na balança automotiva com o seu parceiro, o México não quis romper o acordo. Agora que a situação se inverteu o País não quer mais cumprir as premissas.

Os mexicanos não foram os únicos a reclamar da decisão do governo. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores disse, em comunicado, que "considera importante a manutenção do acordo com o México" e defendeu a celebração de novos acordos internacionais de preferência tarifária.

Estratégia. As principais montadoras do Brasil têm fábrica no México e trazem de lá veículos sem pagar Imposto de Importação. "Quando o acordo foi firmado, as montadoras definiram uma estratégia conjunta de produção entre as fábricas do Brasil e México. O que elas produzem lá, não fazem aqui", disse o diretor do Centro de Estudos Automotivos, Luiz Carlos Mello.

Hoje, produzir no México é mais competitivo que no Brasil por dois motivos: o câmbio mais vantajoso e a maior proximidade com o mercado americano. "As fábricas ficam do lado dos EUA e podem exportar para o Brasil sem pagar imposto", disse o consultor Alexandre Lira.

O rompimento do acordo está em linha com outra medida protecionista tomada pelo governo em setembro - de elevar a taxação dos carros importados. O objetivo era motivar as montadoras a produzirem no Brasil.

"Mas isso não vai acontecer deixando o México e a Argentina de fora", disse a diretora do Insper, Letícia Costa, que não concorda com o descumprimento do acordo. O México responde por 13,8% das importações de veículos, atrás da Argentina (44%) e da Coreia (19,2%), segundo a Fenabrave.

Procurados pelo Estado, os Ministérios do Desenvolvimento, de Relações Exteriores e a Embaixada do México não se pronunciaram.


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