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15 de Abril de 2010

 

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Países Aaa enfrentam 'equilíbrio delicado' da política econômica, diz Moody's

Dilema está entre tomar medidas de aperto da política fiscal para manter a dívida gerenciável ou conter a demanda privada

15 de março de 2010 | 9h 50
Marcílio Souza, da Agência Estado

LONDRES - Os grandes países com rating Aaa estão enfrentando "um equilíbrio cada vez mais delicado" entre o aperto da política fiscal para manter sua dívida gerenciável e a contenção da demanda privada e a ampliação da receita tributária, disse a agência de classificação de risco Moody's Investors Service nesta segunda-feira, em seu relatório Aaa Sovereign Monitor.

O baixo crescimento econômico significa que as consequências de se reparar os balanços patrimoniais vão recair "desproporcionalmente sobre o ajuste fiscal discricionário", o que cria "risco substancial de execução" à medida que os países tentam fazer esses ajustes sem prejudicar a frágil recuperação econômica e "estragar o principal ativo do governo: seu poder de cobrar impostos", disse a agência de ratings.

Mas a manutenção das políticas fiscais expansionistas usadas para combater os efeitos da crise financeira e econômica por tempo demais "não é menos arriscada" se ela testar a paciência e a confiança dos mercados financeiros, ou dos bancos centrais, que podem agir para combater as expectativas de inflação.

"Nos níveis atualmente elevados de dívida, o aumento das taxas de juros entraria rapidamente em uma já complicada equação de dívida, com a possibilidade de consequências abruptas sobre o rating", disse a Moody's. A manutenção do rating mais alto de crédito depende, em última instância, "da credibilidade dos planos de ajuste fiscal de longo prazo (dos governos)", diz o relatório.

Segundo a Moody's a ancoragem das expectativas fiscais e de inflação será chave para evitar riscos associados com a retirada "tardia" das medidas de estímulo. Alguns governos, de acordo com a agência, estão tentando fazer isso, como a Alemanha, que introduziu um "freio de dívida" em sua constituição.

A Moody's afirmou que sua perspectiva estável para as maiores economias com rating Aaa - Alemanha, França, Reino Unido e EUA - mostra que a capacidade desses países de pagar a dívida, ou a proporção da receita usada para o serviço da dívida, não está num nível que ameace os ratings. A agência disse que não vai automaticamente rebaixar um país com nota Aaa caso a proporção da receita gasta para o serviço da dívida atinja 10%.

A Moody's disse que, quando isso ocorrer, vai olhar para a reversibilidade da dívida, ou para o grau com o qual os governos são capazes e estão dispostos a reduzir a proporção ao longo de um período de cinco a sete anos. A reversibilidade da dívida é "fundamental para as decisões de rating no campo Aaa-Aa" e dá uma medida de como a Moody's "vai dar ao governo o benefício da dúvida" se este "resolutamente pretendeu" usar sua capacidade total de ajuste fiscal para fazer com que a capacidade de pagamento da dívida voltasse aos níveis Aaa, disse a Moody's.

Entre as quatro maiores economias com rating Aaa, segundo a Moody's, a França é que tem a menor "margem de reversibilidade da dívida", de 1%, disse a Moody's. Isso pode significar que uma elevação da necessidade de destinar receita para pagar a dívida para 11% teria implicações de rating, segundo a agência, porque a volta para o nível de um dígito num futuro previsível parece improvável a menos que o governo francês "demonstre capacidade de reação bem acima do observado até agora".

A margem da Alemanha é mais alta, de 2%, e os EUA e o Reino Unido, onde a capacidade de pagamento de dívida é maior, possuem margens de 3% e 4%, respectivamente.

Entretanto, a agência disse que os números de reversibilidade da dívida "não são fortes gatilhos automáticos para decisões de rating".

Para a Alemanha, a necessidade de uso da receita para serviço da dívida está projetada para algo bem abaixo dos dois dígitos nos próximos dois ou três anos. O rating do Reino Unido, por sua vez, depende de uma avaliação da reversibilidade de sua dívida. No caso dos EUA, "por ora a capacidade de pagamento da dívida federal não se deteriorou" e deverá permanecer bem melhor que os níveis vistos nos anos 1980 para o período que vai até 2013, de acordo com o Orçamento anunciado em fevereiro. As informações são da Dow Jones.


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