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Papéis prefixados ficam mais atraentes com a queda na taxa básica de juros

Rentabilidade é garantida no momento da aplicação, o que funciona como 'seguro' contra posteriores reduções na taxa Selic

11 de julho de 2012 | 20h 46
Economia & Negócios

SÃO PAULO - Na reunião do Copom desta quarta-feira, o juro básico da economia manteve sua trajetória de queda iniciada há um ano e foi para 8% ao ano - redução de 0,5 ponto porcentual. E, como preveem especialistas consultados pelo Banco Central, a Selic deve fechar 2012 em 7,5% ao ano. Com isso, investimentos em renda fixa tendem a ficar menos atraentes.

Nesse cenário, aplicações de renda fixa prefixadas podem ser opção na carteira do investidor. Nelas, a taxa de rentabilidade é definida no momento da aplicação. No vencimento do título, se o juro no mercado caiu, o investidor embolsa ganho maior garantido no início do investimento.

"Estamos em uma fase de tendência de queda dos juros", afirma o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival. A dúvida que persiste é até onde vai a redução da Selic e quais os papéis que ainda vão ganhar com isso.

A visão do HSBC é de que ainda há oportunidades no mercado. "A probabilidade de a queda das taxas continuar além do nível de 7,5% é grande. Isso ainda não está precificado", diz o diretor de investimentos da HSBC Global Asset Management, Mario Felisberto.

Parte do mercado, contudo, acredita que a redução da Selic já está embutida em alguns papéis. "Os títulos já pegaram 80% da queda prevista. A visão geral é que ainda há opções, mas pontuais. Portanto, o investidor precisa ser cauteloso na escolha", sugere o gestor de renda fixa da XP Gestão de Recursos, Fausto Silva Filho, ao indicar títulos atrelados à inflação, que pagam juro fixo mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).

Alternativas

No mercado, são muitas as opções para quem quer prefixar parte da carteira: títulos públicos, fundos e até mesmo papéis bancários. "Desde 1994, com a estabilidade econômica, os prefixados avançaram bastante como opção de investimento. Agora temos de esperar o efeito da queda recente do juro para ver se a tendência é duradoura. Se sim, os prefixados tendem a aumentar, como já ocorre no exterior", diz a superintendente de investimentos do Santander, Sinara Policarpo.

No Santander, são oferecidos Certificados de Depósito Bancário (CDB), com vencimento entre seis meses e um ano, e Letras do Crédito Imobiliário (LCI), de dois anos. "Muitas vezes os prefixados não têm a recompra antes do vencimento", alerta Sinara, ao lembrar que o investidor deve se programar para sacar os recursos somente no fim do prazo. Os CDB são títulos vendidos pelos bancos para captar dinheiro direcionado aos empréstimos.

As LCIs seguem a mesma lógica, só que o dinheiro captado vai para o crédito imobiliário.

No Banco do Brasil, além dos CDBs, os clientes têm acesso aos Recibos de Depósito Bancários - títulos de renda fixa semelhantes aos CDBs, mas que não podem ser resgatados antes do vencimento ou negociados no mercado secundário. No CDB prefixado comum, o valor mínimo de aplicação é de R$ 500. Há ainda uma modalidade com swap (operação atrelada ao dólar), em que o investimento mínimo é de R$ 500 mil. No RDB prefixado, o valor soma R$ 1 mil.

O investidor ainda pode optar por fundos compostos por papéis prefixados. É o caso do BB Renda Fixa Pré LP Estilo e do BB Market Plus Pré Renda Fixa LP Private. As taxas de administração são baixas (1% e 1,5% ao ano, respectivamente), mas, é preciso ter uma quantia relativamente alta para conseguir ingressar nos fundos: R$ 20 mil no Estilo e R$ 25 mil no Private. "O mercado em geral se interessa por pós-fixados, mas nos últimos meses o interesse por pré tem crescido", avalia o vice-presidente de Gestão de Ativos de Terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos.

O fundo Absoluto reduziu a quantia de aplicação inicial de R$ 10 mil para R$ 1 mil e, em 30 dias, captou R$ 260 milhões. No ano, o saldo do ano é de R$ 807 milhões. O banco lançou no fim de junho um segundo fundo de renda fixa, o Objetivo, com aplicação inicial de R$ 50 mil. Ambos devem prefixar pelo menos 51% da carteira, mas Vasconcelos conta que o porcentual atualmente gira em torno de 85%. "O que atraiu o investidor para esses fundos foi a boa rentabilidade. O Absoluto rendeu 124,5% do CDI no ano", diz.

Tesouro Direto é boa opção para os pequenos investidores

Para pequenos investidores, há ainda a opção dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto. Atualmente, o de menor valor custa R$ 736. Contudo, como o investidor pode comprar frações de 10% do título, com R$ 73,60 é possível investir em um título prefixado. Há dois papéis LTN mais curtos (para 2015 e 2016) e NTN-F para 2023. A diferença é que a NTN-F paga juros semestrais. Na LTN, o ganho é resgatado apenas no vencimento. Juntos, os dois títulos representaram 25% das vendas do Tesouro, indica relatório divulgado em maio.

A mesma quantidade de oferta e demanda não é vista entre os títulos bancários. Os CDBs prefixados, por exemplo, somam um estoque de R$ 16 bilhões na Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip), número que representa apenas 2,5% do total de R$ 652 bilhões de estoques de CDBs.

Parte do baixo estoque é explicado pelo risco embutido em títulos prefixados. "Há risco para quem emite e para quem compra", diz a superintendente de investimentos do Santander, Sinara Policarpo.

Para o banco, não é interessante emitir um título prefixado se posteriormente o juro cair. Nesse cenário, ele poderia ter uma dívida menor, emitindo papéis pós-fixados. Assim, os bancos emitem prefixados com vencimentos mais curtos, tentando prever o cenário de curto prazo. "Fica bem próxima a curva de juros", comenta. Para a ponta contrária, a do investidor, o risco é de o juro subir. Nesse caso, o rendimento do prefixado será menor do que o mercado paga.





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