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Pará quer dobrar área de plantio de cacau até 2020

Estado tem áreas disponíveis propícias para a cultura e produtividade acima da média nacional, segundo especialista

16 de novembro de 2011 | 18h 25
Ana Conceição, de O Estado de S.Paulo

Um programa para ampliação da produção de cacau no Pará, lançado no fim de outubro, pode recolocar o Brasil na rota dos maiores fornecedores mundiais no momento em que as principais origens - Costa do Marfim e Indonésia - enfrentam problemas para ampliar a oferta. A ideia é também zerar o déficit interno da amêndoa, já que o País recorre às importações para suprir a demanda.

Num distante segundo lugar no ranking da produção nacional da amêndoa - o primeiro é a Bahia - o Pará quer dobrar a área cultivada, para 200 mil hectares até 2020, e elevar a atual produção, de 70 mil toneladas, para cerca de 250 mil toneladas ao ano. Para efeito de comparação, a safra brasileira 2010/11, considerada excepcional, atingiu 200 mil toneladas.

"Além de ampliar a área, queremos elevar a produtividade com novas variedades de cacau que estão sendo desenvolvidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac)", afirmou o secretário de Agricultura do Pará, Hildegardo de Figueiredo Nunes.

Polos. O Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura foca 60 municípios distribuídos em três polos: região transamazônica, baixo Tocantins e sul do Pará.

A estimativa da Secretaria de Agricultura é que sejam necessários R$ 3 mil para instalar um hectare de cacau. Assim, a necessidade de recursos é de cerca de R$ 450 milhões ao longo de dez anos, dinheiro que deve ser fornecido pelo crédito rural oficial em programas como o Pronaf, segundo Nunes.

Na avaliação do gerente de originação de cacau da Cargill, Rodrigo Chateaubriand Bandeira de Melo, o Pará é a região com maior potencial de aumento na produção da amêndoa no País. "O Estado tem áreas disponíveis, propícias para o cacau, e suas lavouras já instaladas têm mostrado produtividade acima da média nacional."

Ele lembra que o regime de chuvas no Estado é diferente do da Bahia, que detém 75% da produção nacional, o que contribui para quebrar o ciclo de vida do fungo que provoca a vassoura-de-bruxa, principal problema fitossanitário da cultura.


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