Para socorrer Grécia, países podem ter de aumentar dívidas, diz Fitch
Na avaliação da agência de classificação de risco, efeito da uma saída da Grécia da zona do euro não tem precedentes e é uma grande incógnita
OSLO - Os principais países da zona do euro podem precisar aumentar seus gastos para a ajudar mais as economias endividadas a fim de limitar os efeitos do contágio se a Grécia deixar o euro, afirmou um diretor sênior da Fitch Ratings, ante da realização de importantes eleições no fim de semana que deverão determinar o futuro do país no bloco.
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O efeito da uma saída da Grécia da zona do euro não tem precedentes e é uma grande incógnita, mas os passivos dos principais países da zona euro podem aumentar no caso de uma saída desordenada, disse o diretor da Fitch, Ed Parker.
E se a Grécia sair, as autoridades da União Europeia terão de agir rapidamente para limitar o contágio para outros países fortemente endividados, disse Parker durante uma conferência da Fitch, em Oslo, a Noruega.
"Nesse tipo de contágio, nos estamos falando de retiradas potenciais de depósitos dos bancos, aumento a fuga de capitais e estresse nos mercados de títulos soberanos. Nessa situação, as autoridades da UE terão de vir com uma resposta política que ajude a estabilizar a situação", afirmou Parker, acrescentando que os países centrais - como a Alemanha, Áustria e Finlândia -, teriam de fornecer "significativamente mais dinheiro" para substituir o financiamento aos bancos, o que significaria um aumento dos seus passivos contingentes.
Uma opção para tentar reduzir o estresse do mercado, caso a Grécia deixa a zona do euro, seria o Banco Central Europeu (BCE) realizar outra operação de refinanciamento de longo prazo, disse Parker.
O BCE já injetou mais de 1 trilhão de euros, ou cerca de US$ 1,26 trilhão, em empréstimos baratos para os bancos da região através de duas operações de refinanciamento de longo prazo (LTRO, em inglês).
"Tendo em vista que (o BCE) realizou duas LTROs recentemente, os bancos têm sido capazes de obter financiamento fora dessas operações, e eles ainda podem recorrer a financiamento de curto prazo do BCE, não vemos que a instituição esteja querendo realizar outra no curto prazo. Mas se as coisas piorarem na zona do euro, por exemplo, se a Grécia sair, então uma pode ser necessária em uma situação de estresse", disse ele.
Parker afirmou que a Espanha tem agora um plano mais crível para o seu setor bancário, e que a confiança pode ser reforçada por meio do envio de especialistas de fora para avaliar o setor bancário espanhol, bem como o uso do financiamento externo da UE para recapitalizar os bancos. Madrid fechou um acordo no fim de semana para aceitar até 100 bilhões de euros em ajuda europeia para recapitalizar seus bancos.
Ele também disse que os ratings AAA dos EUA, do Reino Unido e da França estão sob pressão, por causa de níveis elevados e crescentes de endividamento e o impacto severo sobre suas economias proveniente da crise financeira global, bem como da crise da zona do euro. As informações são da Dow Jones.
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