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Passageiros do Piauí e paciente cardíaco ficaram duas horas parados

De acordo com os manifestantes, caminhões com mulheres e crianças, cargas de medicamentos, produtos químicos e animais estão sendo liberados

31 de julho de 2012 | 21h 00
Antônio Pita, O Estado de S. Paulo

RIO - Prevista para durar 48 horas, uma viagem de ônibus de 2.700 quilômetros do Piauí a São Paulo entrava pelo quarto dia na manhã de ontem. O ônibus que levava 30 pessoas foi parado na Rodovia Presidente Dutra por causa do bloqueio dos caminhoneiros grevistas em Barra Mansa, interior do Estado do Rio. O cansaço estava estampado no rosto dos 30 passageiros do ônibus regular, entre idosos, crianças e mulheres que partiram de Pirarucura, a 206 quilômetros de Teresina, até São José dos Campos, interior de São Paulo.

O caso é um retrato dos transtornos causados pelo movimento dos caminhoneiros que bloqueou estradas em todo o País. A jornada do grupo começou na madrugada de domingo, segundo a aposentada Eugênia Fidelis Almeida, de 50 anos. "Pegamos protestos desde Teresina, onde uma manifestação já atrasou nossa partida. De lá para cá foram muitos bloqueios e retenções."

"Estou levando mais de cinco horas para fazer um percurso de uma hora. Está muito tenso o clima aqui", disse o motorista Celso Luiz de Oliveira, de 37 anos. "Tomamos banho e comemos nas paradas. A situação é difícil, mas tentamos manter o bom humor."

Após duas horas parados, o grupo finalmente conseguiu a liberação. "Vamos ver até onde conseguimos ir dessa vez. Fome ninguém vai passar. Temos rapadura, doces, caju, castanha e carne seca que trouxemos de casa", brincava Eugênia, que visitou o Piauí pela primeira vez após 30 anos morando em São José dos Campos.

De acordo com os manifestantes, caminhões com mulheres e crianças, cargas de medicamentos, produtos químicos e animais estão sendo liberados dos bloqueios. Entretanto, uma ambulância chegou a ficar parada por cerca de 2 horas. Com problemas cardíacos, o paciente Iran Seabra, de 49 anos, seguia do Rio de Janeiro para realizar exames em São Paulo. Ele precisou ser medicado na estrada para esperar a liberação da via. "Estou bem, mas fico nervoso por não saber uma previsão de quando vamos ser liberados", disse o paciente.

Apesar da promessa de liberação, alguns caminhoneiros sem cargas e com familiares nos veículos também foram barrados. "Tentei pedir passagem, pois estou com meu filho de seis meses, mas não liberaram", disse Cleberson Gomes, de 28 anos, que descarregou seu caminhão no Rio de Janeiro acompanhado da esposa e do filho.





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