Petróleo puxa alta da inflação na zona do euro em abril
BRUXELAS, 16 MAI - A alta nos preços dos combustíveis e de vestuário mantiveram a inflação da zona do euro bem acima da meta do Banco Central Europeu (BCE) em abril, deixando pouco espaço para o estímulo ao crescimento mesmo que a Alemanha sinalize que pode estar pronta para tolerar mais aumentos de preços internamente.
A inflação nos 17 países que usam o euro atingiu 2,6 por cento em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com a agência de estatísticas da UE Eurostat, abaixo dos 2,7 por cento de março mas ainda alta diante dos problemas econômicos da Europa.
A contração foi destacada pelo fato de não ter havido nenhuma mudança no nível das importações sem ajuste para a zona do euro, disse a Eurostat em um comunicado separado nesta quarta-feira, enquanto as exportações cresceram 4 por cento na comparação anual.
Além disso, as importações ajustadas sazonalmente encolheram 1,1 por cento em março ante o mês anterior, e as exportações recuaram 0,9 por cento, destacando a desaceleração na economia.
Apesar da atividade econômica mais lenta, os preços ao consumidor subiram 0,5 por cento em abril ante março, como esperado por economistas consultados pela Reuters, guiado principalmente por altas nos preços de vestuários e energia.
Os preços de energia saltaram 1,1 por cento no mês e os de vestuário ficaram 2,3 por cento mais altos. Não houve mudanças nos custo de alimentos e os preços para educação e comunicação caíram.
A capacidade limitada de produção de petróleo e a possibilidade de uma interrupção de fornecimento do Oriente Médio têm mantido os preços do petróleo próximos de 120 dólares o barril pela maior parte deste ano.
Economistas veem a inflação na zona do euro caindo durante o ano, mas o BCE afirma que os preços aos consumidores ainda ficarão acima do nível determinado pelo banco de "perto mas abaixo de 2 por cento" no restante do ano.
Isso deve descartar uma ação sem precedentes do BCE de levar as taxas de juros para abaixo do nível atual de 1 por cento nos próximos meses, apesar de formuladores de política econômica da Alemanha terem dados sinais claros de que estão dispostos a aceitar um aumento mais fortes nos preços alemães.
A aceitação de uma inflação mais alta na maior economia da Europa, parcialmente por meio de acordos salariais maiores, pode ajudar Estados europeus do sul em dificuldade ao aumentar a demanda por seus produtos e melhorar sua competitividade em relação à Alemanha.
(Reportagem de Robin Emmott)
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