PIB do 4º tri pode justificar revisão de projeção para 2010
Com economia aquecida, expansão de 5,5% do PIB deve ser revista, diz economista da MCM
SÃO PAULO - O ritmo forte de crescimento da economia brasileira no quarto trimestre de 2009 pode levar o mercado a revisar a projeção para a expansão do PIB este ano, na avaliação do economista da MCM, Antonio Madeira. Ele calcula que o chamado carryover do PIB para 2010 deve ser próximo a 3%. Ou seja, se a economia permanecer estagnada ao longo dos próximos meses, o PIB já terá um crescimento garantido de quase 3%. Mas, para ele, os dados recentes - inclusive os de vendas no varejo, divulgados nesta quinta-feira - mostram que a atividade está muito longe da estagnação. Ao contrário, o ritmo de recuperação nos primeiros meses mostra-se forte e, o que é mais importante, sustentado por fundamentos como mercado de trabalho e renda, e não mais por estímulos fiscais. "Ainda não fizemos essa conta, mas o mais provável é que o mercado revise para cima suas projeções para o PIB em 2010", afirma Madeira. Na segunda-feira passada, a mediana das projeções de mercado estava em 5,50%.
O economista da MCM destaca que, mais importante do que a expansão do PIB em si, é o fato de o crescimento ter sido sustentado, no segundo semestre de 2009, pelos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 6,60% no quarto trimestre na margem e 6,30% no terceiro trimestre ante o segundo. "Isso é bom, porque indica que haverá expansão da capacidade produtiva lá na frente", afirma.
Varejo
O resultado vigoroso das vendas no varejo, de 2,70% em janeiro ante dezembro, é mais um dado positivo sobre o crescimento da atividade. E reforça, em sua opinião, a expectativa de aumento de juros no curto prazo, em março ou em abril. Mais forte do que o mercado esperava, essa expansão foi balanceada entre os diferentes segmentos, mostrando que a recuperação já não depende mais dos estímulos do governo. Madeira diz que ainda espera que o início do ciclo de aperto monetário - que deve elevar a Selic em três pontos porcentuais ao longo do ano - comece em abril. "Mas não seria uma surpresa que o primeiro aumento já ocorresse em março", afirma.
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