Prejuízo do Dexia faz crescer pressão sobre França e Bélgica
PARIS, 3 AGO - O banco Dexia, uma vítima da crise de dívida da zona do euro, apresentou nesta sexta-feira outro grande prejuízo, o que chamou atenção para a grande dimensão da tarefa que enfrenta seu novo presidente-executivo, enquanto a França e a Bélgica discutem sobre o valor de seu resgate ao banco.
O presidente-executivo do Dexia, Karel de Boeck --que anteriormente presidiu o Fortis, outro banco da organização econômica Benelux que sucumbiu à desordem dos mercados financeiros-- terá de gerir as tensões entre os países a que pertence o Dexia, enquanto cresce a probabilidade de que o banco necessite de um aumento de capital para fortalecer seu balanço.
O Dexia, que reduziu seu prejuízo líquido para 1,2 bilhão de euros (1,46 bilhões de dólares) no primeiro semestre, é alvo de escrutínio de reguladores europeus após a Bélgica, a França e Luxemburgo resgatarem-no pela segunda vez em outubro passado.
A questão sobre quem financiará o resgate está no centro das negociações entre os países endividados e a Comissão Europeia sobre o valor final e o custo das garantias estatais para o banco.
O Dexia, que já foi o principal credor de governos locais franceses e outras entidades públicas, como hospitais, quer que o valor das garantias aumente para 90 bilhões de euros, próximo ao valor do recente resgate ao setor bancário espanhol inteiro, de 100 bilhões de euros.
A Bélgica, que assumiu o controle do setor de varejo do banco, está negociando para que a França assuma uma fatia maior do fardo financeiro.
O ex-banqueiro do Dexia Bernhard Ardaen, que escreveu um livro sobre o colapso do banco chamado "Time Bomb", disse que as necessidades do banco podem eventualmente elevar o orçamento francês em 75 bilhões de euros, enquanto a dívida pública da Bélgica pode disparar em 150 bilhões de euros para 1,5 vezes sua atual produção anual.
O Dexia está determinado a "reduzir o fardo que representa para os países", disse Boeck nesta sexta-feira.
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