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15 de Abril de 2010

 

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Produção industrial cai 1% em junho, maior recuo em 18 meses

Terceiro resultado negativo consecutivo, segundo o IBGE, foi influenciado por estoques elevados e pela Copa do Mundo

03 de agosto de 2010 | 8h 51
Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO - A produção industrial registrou queda de 1% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta terça-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior recuo mensal registrado no setor desde dezembro de 2008, quando caiu 12,2%, segundo destacou o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo.

Por outro lado, o avanço acumulado de 16,2% na produção da indústria no primeiro semestre de 2010, ante igual semestre de 2009, é o melhor resultado semestral da série histórica da pesquisa, iniciada em 1991. Macedo ressalta, entretanto, a forte influência da base de comparação deprimida de igual período do ano passado, quando a produção caiu 13,4% em relação ao primeiro semestre do ano anterior.

O documento de divulgação da pesquisa também revisa a produção de maio ante abril, de 0,0% para -0,2%. Com o novo resultado, a queda de 1% apurada em junho representa o terceiro resultado negativo consecutivo do setor ante o mês anterior.

Segundo Macedo, a revisão de maio reflete novos números enviados por informantes, sobretudo de bens de capital, além da introdução de novos dados na série com ajuste sazonal. O resultado de bens de capital foi revisado de 1,2%, em maio ante abril, para variação zero (0,0%) no período.

Copa do Mundo e estoques elevados

Macedo também afirmou que os dados da produção de junho confirmam que, no segundo trimestre, o setor mostrou "um ritmo bem menos intenso" de atividade do que no primeiro trimestre. Segundo ele, o resultado de junho foi negativamente influenciado pela realização da Copa do Mundo, já que três dos quatro jogos do Brasil no torneio esportivo ocorreram em dias úteis, afetando a produção do setor.

Além disso, segundo ele, dados divulgados em sondagens e pesquisas de outras instituições mostram "níveis indesejados de estoques em alguns segmentos, o que também pode estar afetando o ritmo da atividade da indústria".Ainda de acordo com Macedo, a indústria estava em junho em patamar 2% abaixo do recorde do nível de produção do setor, alcançado em março de 2010.

Queda generalizada em junho

Os dados da produção industrial de junho "em síntese, reforçam os sinais de redução no ritmo da atividade fabril, que marca o terceiro mês consecutivo de queda frente ao mês anterior na série ajustada sazonalmente", segundo comentam os técnicos do IBGE. Segundo os técnicos, os resultados ante o mês anterior mostram "perfil generalizado de queda", com recuo na produção em 20 dos 27 ramos pesquisados.

Apesar da queda, o resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de uma queda de 1,90% à estabilidade (0,00%), com mediana de -0,95%.

Alta de 11,1% ante junho de 2009

Na comparação com junho do ano passado, a produção da indústria aumentou 11,1%. Nesse confronto, as projeções variavam de 10,20% a 13,10%, com mediana de 11,70%.

No primeiro semestre de 2010, a indústria acumulou uma expansão de 16,2%. Em 12 meses até junho, houve variação positiva de 6,5%.

O índice de média móvel trimestral da produção industrial, considerado o principal indicador de tendência, mostrou recuo de 0,7% no trimestre encerrado em junho ante o terminado no mês anterior. O resultado mostra uma forte desaceleração em relação ao resultado apurado no índice de média móvel de maio (+0,8%).

Investimentos caem 2,1%

A produção de bens de capital, que sinaliza o desempenho dos investimentos, caiu 2,1% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal. Trata-se do primeiro resultado negativo ante o mês anterior após 14 meses consecutivos de expansão dessa categoria. Na comparação com junho do ano passado, essa categoria elevou a produção em 26,8%.

Em junho, ante o mês anterior, todas as categorias de uso pesquisadas pelo IBGE registraram queda na produção: bens intermediários (-0,7%); bens de consumo duráveis (-3,2%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%). Já ante junho do ano passado, os resultados foram todos positivos: bens intermediários (12,1%); bens de consumo duráveis (6,8%) e semi e não duráveis (6,2%).

A queda de 2,1% na produção de bens de capital em junho ante maio pode significar uma "acomodação natural" e não está vinculada às máquinas e equipamentos voltados para ampliação de capacidade do setor industrial, observou Macedo.

"O desempenho dessa categoria é favorável mesmo com essa queda ante mês anterior", disse. Macedo exemplifica que entre as quatro categorias de uso investigadas, apenas bens de capital mostraram expansão (+0,2%) no índice de média móvel trimestral no trimestre encerrado em junho ante o terminado em maio. Além disso, os bens de capital registraram o maior crescimento (26,8%), entre as categorias, na comparação com igual mês do ano anterior.

Segundo Macedo, a queda na produção de bens de capital em junho ante maio foi influenciada, sobretudo, pelo recuo na produção de máquinas e equipamentos para informática (-11,6%), bens de capital para o setor elétrico (-2,0%) e material de transporte (-5,1%, basicamente por causa de aviões). Por outro lado, o segmento de máquinas e equipamentos, que inclui os produtos voltados para a própria indústria, registrou alta de 1,0% na produção, na mesma base de comparação.

Texto atualizado às 10h42


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