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Queda do PIB consolida percepção negativa sobre futuro da economia do Brasil

Somada à inflação alta, ao baixo investimento e à avaliação de relaxamento do governo em relação ao resultado fiscal, forte retração agrava pessimismo nos mercados interno e externo

03 de dezembro de 2013 | 15h 35
Agência Estado

SÃO PAULO - O forte recuo da economia brasileira no terceiro trimestre, de 0,5% ante o segundo trimestre, conforme dados divulgados nesta terça-feira, 3, pelo IBGE, trouxe à tona não só a frustração com um desempenho pior do que o esperado. Também consolida a percepção negativa com a economia do País de analistas de mercado no Brasil e no exterior.

A magnitude da retração apresentada nesta manhã está em linha com as piores previsões apresentadas até agora pelos especialistas. Soma-se a uma grande insatisfação de agentes de mercado com a leniência do governo em relação ao resultado fiscal, a uma inflação persistentemente alta e a investimentos titubeantes. Esses aspectos ampliam o risco de um rebaixamento da nota de avaliação dos títulos de dívida do Brasil e aumentam o mal-estar dos investidores - justamente num momento em que seria necessária a recuperação desses ânimos.

"Os números do PIB são mais um claro sinal da fragilidade da economia. Essa fraqueza tem como resultado a piora do sentimento com relação ao País", resumiu o economista do espanhol BBVA Research, Enestor Santos.

Para ele, o País poderia, inclusive, apresentar uma recessão técnica caso os dados antecedentes do quarto trimestre não revertam esse cenário. "Isso não pode ser descartado completamente", disse.

A abertura das contas nacionais mostra números ruins que eram previstos, como o PIB agropecuário, que retraiu 3,5% do segundo para o terceiro trimestre sob efeito do fim da safra. Mas algumas surpresas negativas se revelaram mais preocupantes, como as contas externas.

"As exportações caíram muito na margem, 1,4%, mas as importações diminuíram apenas 0,1%. Por isso a influência do setor externo foi maior do que esperávamos e acabou sendo em parte responsável pela queda do PIB de 0,5%, enquanto prevíamos 0,3%", explicou o economista sênior do banco Besi Brasil, Flávio Serrano.

O professor de economia da Universidade Pontifícia Católica (PUC-SP), Antonio Corrêa de Lacerda, por exemplo, acredita que há um vazamento de todo o potencial de consumo do mercado interno para o mercado externo via importações. O consumo das famílias, aliás, ainda mostra vigor e mostrou crescimento de 1% na margem. Em contrapartida, os investimentos caíram 2,2% ante o segundo trimestre deste ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, veio a público hoje ressalvar que o investimento crescerá mais e que o mundo ainda está em crise.

"Estamos em trajetória de crescimento, talvez não na velocidade que gostaríamos, mas nenhum país está conseguindo isso. Os EUA estão com uma expansão de 1,6% e 1,7%, neste ano, o México, com menos de 2%", apontou o ministro. "O mundo não vive um ano fácil", disse.

De qualquer modo, há quem olhe para o momento atual e veja uma piora significativa de cenário. O economista para mercados emergentes da gestora britânica Schroders, Craig Botham, diz que o País "não tem bala de prata" e corre risco de rebaixamento de sua avaliação de risco "especialmente agora que as receitas serão ainda menores que o esperado".

"Se o Brasil não reduzir sua dependência do consumo e do populismo fiscal, a estagflação poderia se tornar a norma no País e os mercados vão punir", ressaltou nesta manhã.

Sebastian Briozzo, analista da agência de classificação de risco Standard & Poor's, disse nesta manhã em entrevista à Dow Jones Newswires que o governo brasileiro tem uma capacidade limitada de combater o problema com uma política fiscal contracíclica.

"A política contracíclica é apropriada quando há espaço para utilizá-la", afirmou Briozzo, acrescentando que esse não é o caso do Brasil. "Se estivéssemos em uma situação na qual o governo fosse capaz de investir mais, seria diferente", completou.

O resultado também não garante um relaxamento da política monetária que pudesse dar fôlego ao crescimento no próximo ano.

"Os sinais que o PIB traz no curto prazo são de que não há grande refresco para a inflação", afirmou economista-chefe da Votorantim Wealth Management & Services, Fernando Fix. Para ele, com a alta de 1% no consumo das famílias no terceiro trimestre ante o segundo trimestre mostra que o cenário ainda exige cuidado nesse sentido.

Botham, da gestora Schroders, acredita, no entanto, que o BC será pressionado.

"Os dados de fraco crescimento aumentam a pressão sobre o BC para que a instituição termine o ciclo de aumento das taxas de juros, apesar da permanência do problema de inflação".

(Por Beatriz Bulla, Fernando Nakagawa, Francisco Carlos de Assis, Gabriela Lara, Regina Silva, Renan Carreira, Ricardo Leopoldo e Stefânia Akel)





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