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Reajuste de combustíveis não compromete meta da inflação oficial

Segundo a FGV, o aumento nos preços do diesel e da gasolina terá efeito mais forte em índices como o IGP-M e IGP-DI

17 de julho de 2012 | 16h 51
Daniela Amorim, da Agência Estado

RIO - O reajuste nos combustíveis em vigor desde 25 de junho deve impactar com mais força as leituras de julho do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI).

No dia 22 de junho, a Petrobrás anunciou um aumento de 3,94% no preço do diesel e de 7,83% no preço da gasolina. Apenas parte desse aumento foi capturado no IGP-10 de julho, mas os combustíveis já responderam por 11,3% da taxa de 1,24% do IPA-10 do mês.

No último dia 12, a Petrobrás anunciou novo reajuste, dessa vez apenas no diesel, de 6%. Como o aumento passou a vigorar apenas ontem, também deve aparecer somente nas próximas leituras do IGP.

"O reajuste do diesel não assusta nem compromete a meta no IPCA, por exemplo. O maior problema mesmo é que o diesel é usado no escoamento da produção e nos ônibus urbanos. Ainda que seja ano de eleição e não haja expectativa de reajuste de tarifa de ônibus urbano, esse aumento vai entrar na planilha de novos reajustes no futuro", afirmou André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Impacto

Mesmo com o provável impacto dos combustíveis no atacado, a tendência é de desaceleração da taxa nos IGPs a partir de agosto, com o arrefecimento da inflação da soja e a redução dos efeitos do câmbio.

Segundo a FGV, durante a coleta de preços para o IGP-10 de julho, o dólar se valorizou 1,41% ante o real. Em junho, a valorização da moeda americana tinha sido de 6,05%. "Em julho, o IGP ainda tem influência do câmbio, porque o câmbio tem impacto defasado no indicador. Então, o que está sendo captado agora deve ser alguma coisa da valorização de junho ainda. Como em julho a variação (do dólar) foi pequena, o IGP de agosto não deve ter muito resíduo de câmbio", disse Braz.

Entretanto, não é possível esperar uma desaceleração ainda da taxa do IGP-10 em 12 meses, porque o número de agosto de 2011 foi baixo, de 0,20%. "Não dá para esperar o IGP-10 a 0,20% em julho porque esses aumentos de combustíveis ainda não foram totalmente absorvidos, e também porque o complexo soja vai desacelerar, mas não em forma de choque. A redução vai ser gradual", explicou o economista do Ibre/FGV.





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