Renault argentina suspende 900 operários por peças barradas
O motivo da suspensão são as barreiras alfandegárias aplicadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner contra a entrada de produtos estrangeiros
BUENOS AIRES - A Renault Argentina suspendeu nesta terça-feira 900 operários de sua fábrica na província de Córdoba. O motivo da suspensão dos trabalhadores, que somente voltariam à atividade na quinta-feira, são as barreiras alfandegárias aplicadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner contra a entrada de produtos estrangeiros, entre as quais as autopeças Made in Brazil. O porta-voz do Sindicato de Mecânicos do Transporte Automotivo (Smata), Leonardo Almada, anunciou que a empresa, sem os insumos, teve que reduzir sua produção na fábrica do município de Santa Isabel.
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"Os caminhões que deveriam chegar do Brasil estão paralisados na alfândega", sustentou Almada.
Há exatamente dois meses a Renault suspendeu 2 mil operários em Santa Isabel. Na ocasião, a paralisação foi provocada pela queda nas vendas argentinas ao mercado brasileiro.
Segundo a lei trabalhista argentina, os operários suspensos recebem 75% de seus salários.
Além da Renault, nos últimos meses a Fiat também paralisou suas linhas de produção diversas vezes pela falta de autopeças importadas para seus veículos.
Entre agosto e setembro representantes dos governos do Brasil e da Argentina sentarão à mesa de negociações para definir os detalhes do novo regime automotivo bilateral, que administrará o comércio de automóveis entre ambos países.
Restrições
As restrições às importações impostas pelo secretário de comércio interior, Guillermo Moreno, e a ministra da Indústria, Débora Giorgi intensificaram-se a partir de 2008. Além das modalidades clássicas de licenças não-automáticas, valores-critério, os acordos voluntários de restrição de exportações, o governo Kirchner com frequência recorre à variante de ordens verbais para deter a entrada de produtos na fronteira. Em vários casos, quando os produtos (especialmente os alimentícios, como a polpa suína Made in Brazil) já estão dentro do país, ficam bloqueados - sem explicações - por barreiras burocráticas adicionais.
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