Ritmo de expansão PIB 2010 deve desacelerar ante 2009, avalia Itaú Unibanco
Segundo banco, economia brasileira deverá crescer a uma taxa média trimestral de 1,2% a 1,3% neste ano
SÃO PAULO - A economia brasileira deverá crescer a uma taxa média trimestral de 1,2% a 1,3% em 2010, o que significa dizer que o ritmo de expansão do PIB neste ano deve desacelerar comparativamente ao verificado no ano passado. A avaliação é do economista do Itaú Unibanco Aurélio Bicalho que, diga-se, acertou todas as três leituras do PIB divulgadas hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, a economia brasileira no ano passado sofreu uma retração de 0,2% na comparação com 2008 mesmo com as contas nacionais tendo se expandido à razão de 2% no último trimestre do ano passado relativamente ao trimestre anterior e de 4,3% sobre igual período de 2008.
Vale ressaltar que essa projeção de desaceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira feita por Bicalho considera o PIB partindo em 2010 de uma base de expansão de 2,7% só por causa do carryover ou taxa de carregamento que, por inércia, o PIB do quarto trimestre de 2009 traz para 2010. Para Bicalho, em termos anualizados, o PIB em 2010 deverá crescer próximo de 6% ante uma taxa de 8% em 2009, considerando a taxa dessazonalizada do quarto trimestre.
A principal razão para a desaceleração esperada pelo Itaú Unibanco é a chamada estratégia de retirada, que consiste em o governo retirar os estímulos fiscais dados a alguns setores da economia como forma de ajudá-los a respirar no momento mais crucial da crise econômica internacional. Um deles, de acordo com o economista, são os estímulos para os bens de consumo duráveis. No auge da crise, como forma de assegurar o fluxo de vendas de veículos e produtos da linha branca e evitar demissões nestes setores, o governo abriu mão de uma arrecadação maior e reduziu a alíquota de IPI incidente sobre estes produtos.
"A retirada destes estímulos deve contribuir para algum arrefecimento da atividade em 2010", prevê Bicalho, para quem a atividade industrial, por exemplo, que se expandiu muito no período em que a indústria teve que recompor os estoques baixos por causa do maior volume de vendas puxado pelos incentivos fiscais, voltará agora a operar de acordo com um estoque já ajustado. Outro fator que deverá restringir um pouco o ritmo de crescimento da economia brasileira neste ano é o comprometimento público do governo com um superávit primário maior, o que levará à redução dos gastos públicos e das famílias via repasse de renda.
A incógnita neste campo, no entanto, segundo o economista do Itaú Unibanco, reside em quanto poderá ser o arrefecimento. "Pode ser um pouco mais ou um pouco menos que o esperado por nós", pondera o economista. Por enquanto, ele espera que o arrefecimento seja algo em torno de 0,70 ou 0,80 ponto porcentual, dos 2% de crescimento no quarto trimestre do ano passado para 1,3% ou 1,2% na média trimestral deste ano. Também entra na conta dos possíveis freios do ritmo de crescimento econômico do Itaú Unibanco a elevação da taxa básica de juros, Selic, em 0,50 ponto porcentual já na reunião do Copom na próxima semana.
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