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Seis bancos avaliam compra do Cruzeiro do Sul

Quatro instituições já se reuniram com o Fundo Garantidor de Crédito e duas têm encontro agendado; entrega de propostas vai até 10 de setembro

26 de agosto de 2012 | 22h 23
David Friedlander e Leandro Modé, O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Seis bancos já estão avaliando os números do Cruzeiro do Sul, que está sob intervenção do Banco Central (BC) desde o início de junho e foi posto à venda pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) há duas semanas. Quatro deles já fizeram reuniões com o Fundo para tirar dúvidas e outros dois agendaram encontros.

"Nem todos mostram o mesmo grau de interesse, mas estão olhando para ver se faz sentido para o negócio deles", afirmou o presidente do Cruzeiro do Sul desde a intervenção, Celso Antunes. Os nomes dos interessados são mantidos sob sigilo.

Há exatos 13 dias, o fundo garantidor apresentou ao mercado um plano para tentar evitar a liquidação do Cruzeiro do Sul, que tem um rombo total de R$ 3,1 bilhões, e não tem condições de continuar aberto do jeito que está hoje.

Para dar certo, a operação de resgate foi planejada em duas frentes. O FGC está propondo aos credores do Cruzeiro do Sul que aceitem vender seus papéis com um desconto médio de cerca de 50%. A maioria das dívidas - R$ 3,3 bilhões de um total de R$ 5,68 bilhões - está nas mãos de investidores estrangeiros.

O FGC explicou que a liquidação só será evitada se duas condições forem atendidas: no mínimo 90% de adesão ao plano de desconto de dívida e uma proposta firme para a compra da instituição.

No dia seguinte ao anúncio, o Fundo disparou e-mails para cerca de 20 instituições financeiras que teriam capacidade de comprar o Cruzeiro do Sul se quisessem.

O plano tem sido duramente criticado por investidores estrangeiros desde que foi anunciado. Muitos vêm dizendo que não vão aceitar o deságio proposto. Nos bastidores, apostam que a pressão fará com que o Fundo melhore sua oferta.

"Não há hipótese de renegociação", afirma o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno. "Não tem barganha: ou é isso ou é isso." Tanto Bueno quanto Antunes evitam fazer projeções sobre o número de credores que podem aceitar a proposta. Mas amanhã será possível tomar o pulso da situação.

Desconto menor

Investidores que aceitarem a proposta até o fechamento do mercado nesta terça-feira terão um prêmio: o desconto sobre a dívida será menor. Os demais têm como prazo limite o dia 12 de setembro. Para os bancos interessados, a data final para a apresentação de proposta é 10 de setembro.

Os dois executivos do fundo garantidor dizem que estão à disposição dos investidores para mais esclarecimentos. "Mas não vamos rediscutir os termos", frisa Antunes.

"Sabemos que dói, mas é o menos pior para todo mundo." Bueno completa: "A alternativa é entrar na massa falida, pegar uma fila e esperar anos para receber - se conseguir receber."

Nos últimos tempos, críticos têm apontado um risco de conflito de interesses no FGC, uma vez que o conselho de administração do fundo é composto por executivos dos principais bancos do País.

Esses profissionais teriam acesso privilegiado a informações relevantes sobre outras instituições financeiras.

Na operação para tentar salvar o Cruzeiro do Sul, ficou decidido que até mesmo as reuniões semanais do conselho de administração ficarão suspensas até que o destino do banco seja definido.

Se uma instituição de um conselheiro apresentar proposta pelo Cruzeiro do Sul, imediatamente esse profissional será excluído da análise da oferta.

"No limite, se os bancos de todos os nossos conselheiros quiserem comprar o Cruzeiro do Sul, a decisão caberá à direção executiva", explicou Bueno, lembrando que esses profissionais são independentes.





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