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Sob intervenção, Cruzeiro do Sul vai leiloar seus helicópteros

Três aeronaves do banco serão postas à venda amanhã. Lance mínimo inicial: R$ 35 milhões

07 de agosto de 2012 | 22h 39
David Friedlander e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Banco Cruzeiro do Sul, sob intervenção do Banco Central (BC) desde o início de junho, não tinha apenas fraudes e problemas patrimoniais. Tinha também três helicópteros, que irão a leilão na tarde desta quinta-feira, em São Paulo, com lance mínimo inicial total de R$ 35,45 milhões.

Se as aeronaves forem mesmo vendidas, o dinheiro será usado para abater um pedaço do rombo da instituição, da ordem de R$ 2,5 bilhões. Os helicópteros eram usados pelo Índio da Costa, que controlavam o banco, mas estavam em nome do Cruzeiro do Sul.

São dois Eurocopter EC 145, com capacidade para oito passageiros e dois tripulantes. Um deles foi fabricado em 2009 e tem 650 horas de voo e o outro, de 2010, tem 301 horas. Para cada um deles, o lance mínimo inicial é o mesmo: R$ 16,1 milhões.

A outra aeronave é um Esquilo B2, também da Eurocopter, fabricado em 1998, com 2287 horas de voo e seis lugares. O valor inicial é R$ 3,25 milhões.

O leilão já está aberto para lances via internet e, segundo funcionários do leiloeiro Mauro Zukerman, passará à fase presencial às 15 horas de amanhã. Se os helicópteros forem arrematados, os pagamentos terão de ser feitos à vista.

O leiloeiro receberá comissão de 5% sobre o valor total e os lances terão de ser feitos de R$ 10 mil em R$ 10 mil. Até ontem, nenhum lance havia sido registrado no site da casa de leilão.

Luís Octávio Índio da Costa, que comandava o banco ao lado do pai, Luís Felippe, era conhecido por uma vida social intensa. Gostava de badalação, namorou modelos conhecidas, como Daniela Cicarelli, e aplicou o mesmo estilo no marketing do banco. Quando o Cruzeiro do Sul completou 15 anos sob administração da família, trouxe os cantores Tony Bennett e Elton John para se apresentar para amigos e clientes em shows realizados na capital paulista.

O banco está sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet), decretado pelo BC, desde 4 de junho. Os bens dos controladores ficaram indisponíveis e a instituição passou a ser administrada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - entidade criada em 1995 pelos bancos para proteger os depósitos dos correntistas caso algum dos associados venha a quebrar.

Procurado pela reportagem, Luís Octavio Índio da Costa não quis se pronunciar. A atual administração do banco também preferiu não comentar as informações do leilão.

Balanço

Quando o BC decretou a intervenção, seus auditores estimaram um rombo de R$ 1,3 bilhão nas contas do Cruzeiro do Sul. Avaliações mais completas realizadas na sequência já mostraram que o buraco vai chegar à casa dos R$ 2,5 bilhões, como antecipou o Estado há três semanas. A maior parte do problema é explicada por fraudes contábeis que teriam sido cometidas pelos antigos controladores.

O FGC está terminando a auditoria no banco e deve divulgar os números finais na próxima terça-feira, depois do fechamento do mercado financeiro. O banco tem ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e títulos de renda fixa negociados no exterior.

A ideia, por enquanto, é que, a partir desse momento, sejam contatados eventuais interessados no banco. Mas, em razão do tamanho do rombo, ainda não está descartada a liquidação pelo BC. Pessoas a par do assunto afirmam que o valor de R$ 2,5 bilhões supera as próprias obrigações do FGC em caso de liquidação (que seriam de R$ 2,2 bilhões) e também está acima da avaliação patrimonial do Cruzeiro do Sul.

Até a intervenção, havia pelo menos um interessado, o BTG Pactual, de André Esteves. Ele chegou a fazer uma oferta pelo Cruzeiro do Sul, que não foi aceita pelo conselho do FGC, formado por representantes dos maiores bancos do País.





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