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Sozinho, cigarro tem contribuição de 0,18 ponto porcentual no IPC em abril

Com o impacto, Despesas Pessoais, do qual cigarros fazem parte, teve a maior variação entre os grupos no mês passado, de 1,94%, e peso de 49,11% no IPC

03 de maio de 2012 | 14h 44
Maria Regina Silva, da Agência Estado

SÃO PAULO - O aumento no preço dos cigarros foi determinante na alta de 0,47% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em abril. Sozinho, o item teve influência de 0,18 ponto porcentual e contribuição de 38,88% no indicador calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Com o impacto, Despesas Pessoais, do qual cigarros fazem parte, teve a maior variação entre os grupos no mês passado, de 1,94%, e peso de 49,11% no IPC. "A inflação foi diretamente influenciada pelo reajuste do cigarro. Foi uma fatia significativa. Se não fosse essa elevação, o IPC poderia ter sido menor, próximo a 0,30%", avaliou o coordenador do índice e economista Rafael Costa Lima, em entrevista coletiva hoje na sede da Fipe. Dentro de Despesas Pessoais, o subgrupo Fumo e Bebidas teve alta mensal de 5,61%.

Em abril, a Souza Cruz anunciou alta média de 24% em seus produtos, se antecipando à cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que começou a vigorar este mês. Só em abril, o cigarro teve variação de 16,06%, decorrente do reajuste promovido pela fabricante. Para maio, diante da expectativa de que a Phillips Morris também eleve o preço dos seus produtos, o IPC deve continuar pressionado pela inflação de cigarros. Como o impacto maior fora percebido no índice de abril, a estimativa do instituto é que a elevação nos cigarros fique próxima a 4,00% no dado fechado de maio "já que a expectativa é que a concorrente também aumente seus preços". "Por outro lado, houve perda de força nos preços de passagens aéreas (-4,77% em março para -1,71% em abril)", minimizou.

Além de Despesas Pessoais, Alimentação também ajudou a elevar os preços na cidade de São Paulo em abril, conforme Costa Lima. O grupo subiu 0,45% e teve influência de 21,91% sobre o IPC. Contudo, ele disse que a pressão está localizada e que há alguns preços que estão caindo, limitando a alta do grupo. Em maio, os subgrupos Semielaborados (-0,24%) e Produtos In Natura (-0,28%) foram exemplos de deflação.

"O clima está ajudando os itens in natura a não subirem tanto quanto no ano passado. Além disso, os preços da carne bovina continuam caindo. De janeiro até abril, a queda acumulada é de 13,00%, mas esse movimento pode estar prestes a terminar", disse. O preço das carnes cedeu 2,86% em abril e, pelos cálculos do economista, devem diminuir a queda para 1,00% no fechamento do IPC de maio. Ao contrário desses produtos que impediram uma elevação maior de Alimentação, os preços do feijão (13,90%), sorvete (6,43%), leite longa vida (2,32%) e óleo de soja (3,77%) ficaram mais caros em abril. "Se excluirmos esses produtos, teríamos uma inflação em Alimentação menor, sem dúvida", ressaltou.

Como esperado, o grupo Saúde (0,73%) foi outro a deixar a inflação do paulistano maior no mês passado, conforme o efeito do reajuste dos remédios foi aparecendo no índice cheio. "Houve demora na distribuição do aumento sobre o índice e os reflexos foram sentidos com mais força nessa leitura", explicou.

A chegada da nova coleção às lojas de São Paulo também empurrou Vestuário para cima, que subiu 0,89% em abril. A expectativa da Fipe é que o grupo registre alta forte em maio, de 0,70%. "Mas, aos poucos, deve diminuir esse ritmo", estimou. O grupo Transportes teve variação positiva de 0,18%, com destaque de alta para os preços do etanol (0,88%). Já Habitação (0,00%) teve contribuição negativa no IPC do mês passado, influenciada por Equipamento de Domicílio (-0,98%), que por sua vez reflete a manutenção da redução do IPI para linha branca.





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