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Tendências: IPCA pode acelerar desonerações

08 de março de 2013 | 12h 24
BEATRIZ BULLA - Agencia Estado

SÃO PAULO - O resultado da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em fevereiro traça um quadro desconfortável, que pode levar o governo a antecipar algumas desonerações, como a de produtos da cesta básica, prometida para este ano. A avaliação é da economista da Tendências Consultoria Integrada Alessandra Ribeiro. "O quadro é bastante desconfortável e agora aumentam as chances de anteciparem desonerações, principalmente da cesta básica, que é o que pode fazer mais diferença para a inflação este ano", disse. A desoneração da cesta, segundo os cálculos da Tendências, tiraria do IPCA 0,35 ponto porcentual. O impacto é imediato, informa Alessandra. A projeção da consultoria de 5,80% para o IPCA de 2013 cairia para 5,45%.

A Tendências projetava IPCA de 0,45% em fevereiro, abaixo do resultado oficial (0,60%). "Estamos bem preocupados com o quadro, até pelo índice de difusão, que mostra que esta é uma pressão de alta generalizada, não é pontual", avaliou a economista.

Os cálculos da consultoria mostram uma desaceleração no índice de difusão, que representa o porcentual de preços com itens em alta, de 75,1% em janeiro para 71,8% em fevereiro. Apesar disso, Alessandra entende que o resultado é bastante alto e desacelerou "muito em função do corte na tarifa de energia". Sem o corte da conta de luz, o IPCA de fevereiro, segundo a Tendências, ficaria em 1,08%, acumulando alta de 6,82% em 12 meses.

Beneficiada pela redução na tarifa de energia, a inflação em 12 meses está em 6,31% até fevereiro. Para Alessandra, já em março o IPCA bate no teto da meta de inflação (6,5%), ainda que este mês registre uma desaceleração na comparação com fevereiro. Para março, a estimativa é de "alguma desaceleração", mas contando com um recuo na inflação de alimentos. A estimativa anterior à divulgação do IPCA de fevereiro era de que o índice ficasse em 0,40% em março. Depois do resultado divulgado nesta sexta-feira, contudo, a consultoria deve refazer a projeção.

Para o resultado de fevereiro, as surpresas vieram dos grupos Alimentação (passou de 1,99% para 1,45%) e Vestuário (de -0,53% para 0,55%). "Alimentação não desacelerou tanto quanto estávamos imaginando e Vestuário acelerou bem e deu repiques muito fortes."



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